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Quinta-feira (20 de julho de 2006)
Copacabana – Ilave (91 km)
 
Era hora de dizer mais um adeus, à Bolívia. Meus dias de preços baixos e índios mal humorados acabaram. Agora me resta o meu derradeiro país da Améria do Sul, Perú. Pedalar até lá foi fácil, pois de Copacabana até a fronteira Peruana há apenas 10 quilômetros.
 
Na fronteira procedimento padrão. Carimbar a saída, andar mais um pouco e carimbar a entrada, já no outro lado. Algumas coisas incríveis acontecem qaundo se muda de país, uma, é um pequeno frio na barriga, devido ao fato de não saber o quem ver pela frente, outra, são as inúmeras diferenças que ocorrem com o simples mudar de território.
 
A primeira diferença que pude notar no lado peruano foi o grande número de casas, quase sempre inacabadas, à beira da pista e do grande número de pessoas que trabalham no mesmo local, levando suas ovelhas, lhamas e asnos para lá e para cá. Mesmo com todas as suas semelhanças na Bolívia eu não via isso com a mesma intensidade daqui.
 
Uma curiosidade que me disseram é que aqui no Perú as casas inacabadas não precisam pagar impostos prediais sobre a sua construção. Adivinha o que acontece. Se você pensou que as casas nunca estão prontas acertou. Sempre há tijolos à mostra, muros pelas metade ou coisas do gênero. Tudo para não dar dinheiro para o governo.
 
Foi nessa paisagem que eu pedalei os outros 80 quilômetros que me faltavam até Ilave. No meio do caminho, ao parar para comprar uma garrafa d`água que eu me lembrei que o Perú tem uma hora a menos que a Bolívia e 2 horas de diferença em relação ao Brasil. Poderia ganhar uma hora, mas isso não acontece comigo, que sou basicamente guiado pela luz e o calor do Sol. Enquanto ele está acima de mim está tudo bem, quando está abaixo, é melhor parar e descansar.
 
Depois de algumas horas pedalando por um terreno basicamente plano e com muitas casas e pequeno povoados sem ruas pelo caminho, cheguei a Ilave. Uma cidade pequena e pobre, que me dava a impressão de estar entrando numa favela ao entrar na cidade. Nem precisei pedalar muito para notar algo que vejo pela primeira vez aqui no Perú, o Trici-Taxi, bicicleta modificadas, nas quais quem pedala fica atrás de 2 assentos usados para transportar as pessoas.
 
Depois de tanto ouvir os bolivianos falaram dos perigos do Perú e chegar nesta cidade eu até fiquei com um pouco de receio, que aos poucos foi se acabando, conforme eu conhecia um pouco mais do lugar e das pessoas que são, em sua maioria, boas. Uma coisa interressante que descobri foi que se eu quisesse passar por aqui há 2 anos atrás não conseguiria.
 
Em 2004 o prefeito desta pequena cidade foi assassinado e mais de 4.000 pessoas tomaram as ruas da cidade para pedir a soltura de um dos acusados, assim como impedir que a pessoa indicada assumisse o governo. Isso gerou muita tensão na região por alguns dias, resultando no bloqueamento da rodoviae depedramento de diversos veículos.
 
Por sorte não encontrei nada do gênero em meu caminho. Encontrei uma pequena hospedagem e fiquei por ali, mesmo porque eu não tinha muita opção. Após um banho sofrido sai para comer algo e descobri que a cidade não me aferecia muitas opções, na praça havia um restaurante que tinha apenas frango assado com batata frita. Quanta variedade!
 
Não tive escolha, comi o que havia para comer, no entanto, ainda sai do restaurante com fome e encontrei uma rua onde haviam diversos estabelecimentos que vendiam jantar (sopa, prato proncipal, pão e um chá) por apenas 1 Sol, a moeda peruana, que equivale a R$ 0,80. Não podia acreditar naquilo, como podia ser tão barato. Resolvi experimentar. Escolhi o que tinha melhor aparência, entrei e apenas senti numa mesa, pois ao fazer isso já está subintendido que irá jantar.
 
Em pouco tempo, em minha frente já estava a sopa e o pão, depois cehgou o prato principal e uma pessoa com cara de louca, que sentou ao meu lado e começou a comer como uma animal aquela comida. No prato principal havia muito arroz sem gosto, uma batata cozida, uma fatia de tomate e um osso de frango frito. Estava dificil comer aquilo, cheguei até onde pude e parei.
 
Não tinha mais energia para nada, a não ser dormir.
 
Sexta-feira (21 de julho de 2006)
Ilave – Puno (56 km)
 
Mais uma diarréia para a minha lista. O Perú estava se mostrando perigoso para mim, não pelas pessoas, mas pelo o que eu estava comendo. Como não tinha para quem falar, falei para mim mesmo que não iria mais me arriscar nesses restaurantes que cobram centavos por uma refeição. Era melhor eu pagar um pouco mais e manter meu intestino no lugar.
 
De qualquer forma, eu não estava tão mal e resolvi pedalar até Puno, mesmo porque eu já havia pedalado um pouco mais ontem justamente para não precisar pedalar tanto hoje. Comecei a pedalada com bastante líquidos, para qualquer eventual ocorrência na estrada.
 
Como a distância era curta, cheguei rápido e cedo à Puno, a maior cidade da região. Para a minha suspresa, logo na entrada da cidade, num bairro de aparência não muito boa, pelo qual eu era obrigado a passar, tentaram pela primeira vez me roubar. Eu estava devagar e um sujeito correu e pegou meu braço direito, estava tão louco que nem conseguia falar direito.
 
Pelo menos eu fiquei tranqüilo. Tentei conversar com o sujeito, mas vi que não era possível. Que situação. Como o sujeito estava dopado vi que não teria muita dificuldade em fazer alguma coisa, então empurrei o tipo e pedalei até onde havia mais gente. Infelizmente, ao me deparar com tais pessoas vi que elas não estava em uma situação muito diferente do amigo que queria minha bicicleta. Era melhor eu só pedalar mesmo e pedalar rápido. Por sorte escapei dessa.
 
Fiquei com isso na cabeça depois e não estava dando muita confiança para os peruanos, pois já não sabia em quem confiar. Pensando com um pouco mais de calma vi que aquilo era só um caso isolado e não devia me preocupar tanto, mas apenas manter os olhos bem abertos.
 
Logo encontrei uma pousada barata e me alojei nela. Agora já estava num lugar seguro, com a bicicleta em meu quarto. O único probelma é que eu precisava trocar meu dinheiro, pois tinha apenas 1 Sol em meu bolso. Sai e aproveitei para conhecer a cidade, cuja atrativo turístico é o Lago Titicaca e suas Ilhas Flutuantes, feitas de totora, um vegetal da região.
 
Conheci bastante da cidade, o suficiente para não me perder e não entrar nos lugares errados mais. Aproveitei e fechei um tour de barco para Uros, as famosas Ilhas Flutuantes da região. Como resultado da comida de ontem, minhas forças já estavam esgotadas e não me restava outra alternativa a não ser dormir para sonhar com uma recuperação rápida.
 
Sábado (22 de julho de 2006)
Puno – Ilhas Flutuantes – Taquile – Puno (em barco)
 
A van do passeio pelas ilhas passou em minha hospedagem às 6:50 da manhã. Havia acordado havia poucos minutos e ainda estava sonolento. Desci e logo que a van saiu me lembrei que havia esquecido de minha câmera fotografica e filmadora, sem as quais o passeio seria frustante demais.
 
Sai do veículo e corri em direção ao meu hotel, da onde eu teria que pegar alguma condução até o porto depois. Com tudo em mãos fui em direção ao porto, onde cheguei antes que todos e encontrei gente de todas as nacionalidades esperando para entrar em seus respectivos barcos.
 
Depois de alguns minutos encontrei meu grupo e logo em seguida saimos de barco em direção à Uros, um arquipélogo a 6 quilômetros de Puno, formado por mais de 40 ilhas de totora, um vegetal comum na região, que empregam em diversas áreas, inclusive para construir as ilhas flutuantes, em cada qual vive cerca de 30 a 50 pessoas, que retiram sua subexistência da pesca e do turismo.
 
Todas essas ilhas são habitadas por homens e mulheres que se auto-denominam kot-suña (O Povo do Lago), dizendo que em suas veias correm sangue negro, o que os impede de se afogar e de sentir frio. Mais interessantes é que vivem numa sociedade socialista e democrática, dividindo todas as tarefas e lucros entre todas as família, que orgulhosamente se consideram ricos, não por terem dinheiro, mas por terem saúde e serem felizes.
 
Depois visitar as ilhas de totora e dar uma volta num barco feito do mesmo vegetal, seguimos em direção à Taquile, a maior ilha de todo o lago, habitada por mais de 2.000 pessoas, que seguem, ainda hoje, os 3 mandamentos incas, sobre fortes punições. Este povo que vive do turismo parece ter parado no tempo, preservando suas vestimentas, costumes, realizando casamentos arranjados para os jovens de 15 anos de idade e, um que me chamou a atenção, a tradição do homem confeccionar a roupa de sua mulher e da mulher a de seu marido.
 
Depois de algumas horas na ilha, embarcamos mais uma vez no barco para uma longa viagem até Puno, a capital do folclore peruano, contando com mais de 300 danças e bailes típicos, entre as quais a mais famosa é conhecida como La Diablada Puneña, executado por quadrilas de mais de 150 pessoas.
 
Já em Puno, aproveitei para ir jantar com as pessoas que havia conhecido no barco. Gente de toda parte do mundo. E na dúvida do que comer, optamos por uma das comidas mais comuns deste planeta, uma pizza.
 
Domingo (23 de julho de 2006)
Puno
 
Mesmo comendo tudo o que há de mais seguro nesta cidade, meus probelmas intestinais não me abandonaram. Me senti um pouco mal pela manhã, sem apetite e com algumas cólicas. Desta vez eu não sabia da onde elas vinham, só sabia que eu não estava bem e precisava ficar um pouco mais tranqüilo neste dia.
 
Cheguei à conclusão que deve ser algum tempero, aqui usado, que meu organismo ainda está se acostumando. Logo ele se acostuma e eu já fico imune à comida peruana. Assim resolvi fazer uma refeição bem “confiável” hoje, com yogurt, pães e frutas apenas. Tudo isso na esperança no meu sistema digestório se limpar um pouco.
 
Conclusão, fiquei de molho hoje. Para conseguir iniciar minha pedalada até Cuzco amanhã. Serão pouco mais de 400 quilômetros, sendo o pico do caminho em Raya, a 4.335 metros de altitude. Por isso preciso estar bem, pois preciso estar muito bem bame enfrentar os desafios dos próximos dias.

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