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Segunda-feira (19 de janeiro de 2009)
Meknès
 
Ao acordar hoje, não pensei em sair para conhecer a cidade ou coisa do tipo, mas sim em colocar em dia tudo o que eu precisava fazer. Minha prioridade, no entanto era apenas um banho quente, já que no hotel onde eu estava ficando, havia água fria durante todo o dia e apenas durante a noite havia o que eles chamavam de “água quente”, mas que não era bem quente. Na minha definição, havia água gelada e água fria, esta apenas durante a noite.
 
Era possível sentir que a água não estava tão gelada como a outra, porém continuava fria, muito fria para qualquer banho naquele quarto que mais parecia uma geladeira que quarto de hotel. Assim, minha saída foi perguntar sobre um hamam nas redondezas do hotel e então seguir para lá para esquentar um pouco meu corpo. Perguntei na recepção e fui para o hamam, que ficava na mesma rua do hotel, apenas umas quadras para baixo.
 
Custava barato e como de costume, ganhei um balde e uma caneca, antes de ingressar na área quente. Apenas de cueca, eu entrei neste hamam, que era maior que aquele que eu havia ido em Casablanca. Maior, porém pior, pois não era nem metade quente como o outro que eu havia ido e eu era obrigado a ficar jogando água quente sobre mim, para me manter aquecido. Mesmo assim, estava muito mais quente que no lado de fora e a água quente estava mesmo fervendo, assim que consegui relaxar e tomar o banho que eu queria.
 
Do hamam, voltei para meu hotel, onde lembrei que tinha que lavar minhas roupas, pois não tinha mais nada para usar, já que todas minhas roupas estavam sujas. Subi até o terraço e alí, conversando com uma das funcionárias do hotel, consegui um tanque e lavei minha roupa suja. Quando terminei já era do almoço e saí para comer, tirando uma leve siesta depois, para então começar a trabalhar em meus textos mais uma vez.
 
Parei no meio da tarde, fui até a internet, respondi alguns e-mail, que parecem nunca ter fim e então retornei ao meu computador, para seguir escrevendo e trabalhando com centenas de fotos até a noite.
 
Terça-feira (20 de janeiro de 2009)
Meknès
 
Hoje não foi muito diferente de ontem, com a exceção de que eu não precisava lavar mais roupas e que choveu durante o dia inteiro e as temperaturas baixaram ainda mais. Assim, segui novamente para o hamam para um banho quente e depois comi num dos pequenos restaurantes da cidade e finalmente voltei para meu quarto para continuar meu trabalho, que parece não ter fim algumas vezes.
 
Pelo final da tarde, eu segui para a internet e finalmente consegui colocar algumas atualizações em meu site. Agora, até atualizar tudo é apenas uma questão de tempo. Um bom tempo talvez, já que a cada momento aparece algo em meu caminho e me faz suspender este processo. Amanhã Claire chegará aqui e eu já sei que seria difícil seguir este ritmo com a chegada dela. Mas, assim é a vida e um dia eu termino de atualizar tudo o que eu preciso.
 
Quarta-feira (21 de janeiro de 2009)
Meknès – Fès
 
Hoje eu não fui a nenhum hamam, não tinha muito tempo para isso. O tempo na cidade e, provavelmente, na região toda, continuava ruim, frio, com o céu nublado, o que não me motivava muito a sair para a rua. Pela manhã, eu terminei alguns textos que eu tinha e por volta do meio-dia, fui embora do hotel, diretamente para a estação de trem que não ficava longe de onde eu estava ficando. Descobri então que tinha mais de 1 hora e meia de espera até o próximo trem para Fès.
 
Como tinha tempo, aproveitei para almoçar e ir ao banco, voltando depois para a estação de trem, onde eu esperei mais um pouco até o trem chegar. Algumas pessoas chegaram para conversar comigo, aquela conversa mole, que eu nunca sei se a pessoa só quer mesmo conversar ou está interessada em conseguir alguma coisa. A conversa sempre começa com a clássica pergunta “da onde você é?” e depois segue para outras perguntas sem sentido, que já não me agradam muito. Sem muita conversa, eu segui para dentro do trem, encontrei outros turistas, com os quais eu acabei conversando, e a viagem seguiu o seu ritmo.
 
Em pouco tempo o trem já estava em Fès, o segundo destino mais turístico do país depois de Marrakech, o que eu percebi rapidamente. Ao sair da estação de trem, pessoas já me seguiam para tentar me colocar em seus taxis ou em um hotel. Por sorte eu não precisei de nenhuma informação deles, o guia que eu tinha em minhas mãos havia me dito que da frente da estação eu poderia tomar um ônibus local para o aeroporto. Esse guia, mesmo estando em francês (que não é o meu forte), era muito bom e até me dizia o número do ônibus que eu tinha que tomar: 16.
 
Logo que cheguei no ponto de ônibus, vi o ônibus 16 parado alí, esperando apenas alguns minutos para sair. Subi nele, paguei quase nada e deixei ele seguir pelas ruas de Fès, até chegar ao seu ponto final, a cerca de 15 quilômetros do centro da cidade, o aeroporto. Chegando alí descobri que ainda tinha 2 horas de espera até o vôo de Claire aterrissar naquela pista. Sentei-me então numa das cadeiras da cafeteria, pedi um café, abri meu computador e me conectei à internet. Passei boa parte do meu tempo respondendo às perguntas de uma entrevista que faziam comigo. Ao final das perguntas o avião de Claire chegou.
 
Depois de algum tempo ela apareceu, nos cumprimentamos e depois fomos para Fès, concluindo que era muito tarde para seguir para qualquer outro lugar. Claire havia chegado ao Marrocos para fazer uma pesquisa para o filme que estava dirigindo, um filme sobre a vida de imigrantes ilegais, que se arriscam para entrar na Europa em busca da salvação. Como eu sabia que não era seguro para ela ficar sozinha no país, especialmente nas regiões que ela tinha que visitar, resolvi ajudá-la e viajar junto dela enquanto eu permanecesse no país.
 
Tomamos então um ônibus do aeroporto e seguimos para a estação de trem da cidade, onde conhecemos um francês que nos ajudou a chegar onde queríamos, na medina de Fès, famosa por ser a maior medina de todo o país. Tomamos um  petit taxi e le nos levou até à entrada da medina, onde estava o hotel que buscávamos. E por ruas minúsculas procurando o hotel que queriamos, encontramos esta escondida hospedagem, onde acabamos ficando. Como o frio era forte, não fomos muito longe para comer e depois voltamos ao nosso quarto, onde apenas dormimos.
 
Quinta-feira (22 de janeiro de 2009)
Fès
 
Acordamos tarde dentro de nosso silencioso e frio quarto, decididos a apenas tomar um banho e deixar aquele hotel, em busca de um outro lugar para ficarmos, já que não estávamos felizes naquele hotel e ainda queriamos conhecer um pouco da cidade. Mudamos para um hotel que não estava longe, mas era mais limpo e mais barato que o local onde estávamos. A mudança pareceu boa. Deixamos então nossas malas em nosso novo quarto e saímos para comer e conhecer um pouco mais da cidade.
 
Comemos um prato tipicamente marroquino e depois fomos nos perder dentro da medina de Fès, que de tão grande, estava repleta de mapas e indicações turísticas, caso contrário não era possível chegar muito longe dentro desta parte da cidade. Caminhamos então na direção das teneries, um dos locais mais caracteríticos da cidade, basicamente diversos tanques usados para curtir e tingir o couro de diversos animais.
 
Claro que nos perdemos até chegarmos nas ditas teneries, mas chegamos e logo descobrimos que tínhamos que entrar numa loja, para subir até seu terraço e então, conseguir uma boa visão do local. Subimos diversas escadas e quando sentimos um cheiro forte e podre, descobirmos que já estávamos de frente para os famosos tanques de couro. Tivemos então uma ótima visão de todo o local, com suas dezenas de tanques de diversas cores, seus trabalhadores, com o couro pindurado por toda parte, com montes de lã de ovelha se acumulando pelos cantos e com o cheiro de morte no ar.
 
Ficamos um bom tempo por alí, mais do que alguém que sentisse aquele cheiro imaginaria, e acabamos descobrimos fatos interessantes sobre o local. O processo que viamos alí, seguia sendo feito da mesma forma que era feita séculos atrás, tudo era manual, as cores eram todas naturais e aquele negócio era passado de pais para filho, dentro de algumas famílias da cidade. O mais curioso de tudo era que um sujeito que trabalha alí acaba sempre se casando com a filha de um trabalhador do local, não porque é obrigado, mas porque ela é a úncia que poderá suportar o cheiro de suas roupas e a única que saberá o que fazer para limpá-lo.
 
Desse local, caminhamos por mais locais da cidade velha de Fès, vendo mesquitas, pessoas trabalhando com metal, lã e madeira, exatamente como faziam a séculos atrás. A medina de Fès era mesmo incrível e não foi uma surpresa descobrir que o local era considerado um patrimônio da humanidade pela UNESCO. Porém, hoje era quinta-feira, o mesmo que um sábado para nós, e os souks (mercados) da medina, estavam tão cheios quanto um shopping center em final de semana. Tão cheios que era até difícil de caminhar por alí.
 
Pelo final da tarde, voltamos para a área onde estávamos, parando num café para comer algo e depois retornando ao nosso pequeno hotel, onde apesar de nossas intenções de irmos para um hamam e trabalhar na frente do computador (meu caso), não conseguimos fazer muito. Fomos comer num agradável restaurante e depois de uma pequena volta pela cidade, voltamos para nosso pequeno quarto, desta vez para dormir.
 
Sexta-feira (23 de janeiro de 2009)
Fès – Oujda
 
Ao acordarmos, conversamos um pouco sobre o que faríamos hoje. Eu precisava continuar meu trabalho, que já chegava ao fim, mas para isso, precisava parar na frente da internet e passar tudo para meu site, mas eu já sabia que isso me tomaria dias, pois tinha muita coisa para colocar em meu site. Desta forma, já sabendo que seria impossível conciliar Claire com o meu trabalho, eu contentei-me em apenas ir à internet e manter algumas coisas em dia. Mas Claire também não sabia o que fazer. Ela tinha algumas entrevistas para seu filme, porém devido à alguns problemas, não sabia o que fazer também.
 
Bem, despertamos um pouco perdidos hoje, mas durante o café da manhã decidimos que o melhor seria irmos para a cidade Oujda hoje, passar uma noite lá (talvez mais), para Claire contatar e falar com as pessoas que precisava e depois, seguir para o meu último destino no país, a cidade de Melilla, que é na realidade território espanhol em pleno Marrocos. Este era o meu último destino, pelo simples fato de eu não querer ficar entrando e saindo da União Européia assim, evitando possíveis problemas com meu passaporte, especialmente pelo fato de eu não querer passar meses no Marrocos, mas sim voltar para a Espanha e voltar para casa. Segundo meus planos, eu tomaria um barco de Melilla para Málaga, na Espanha.
 
Assim, depois do almoço, seguimos para a estação de trem e alí subimos em nosso trem para Oujda, numa viagem que nos tomou cerca de 6 horas. Chegamos em Oujda por volta das 10 da noite e com a ajuda de nosso guia, logo encontramos um bom hotel perto da estação e ficamos por alí mesmo, saindo apenas para procurar algo nesta sexta-feira, quando quase tudo da cidade já estava fechado, e depois voltando para dormir.
 
Sábado (24 de janeiro de 2009)
Oujda
 
O motivo de estarmos em Oujda, uma cidade que faz fronteira com a Argélia, não era outro senão um encontro que Claire tinha com o diretor de uma organização que atua em favor dos milhares de imigrantes ilegais que chegam ao país, na esperança de cruzar fronteiras e atravessar o oceano, em busca de uma vida melhor na Europa. Assim, logo pela manhã, ela contatou este marroquino e combinou uma reunião com ele às 2 da tarde.
 
Esperamos até o sujeito chegar e conversando com ela, eu descobri um pouco mais da realidade desses imigrantes, que deixam suas casas e parentes em busca de uma vida digna. Eles são forçados pela pobreza, pela fome, pela injustiça, pela corrupção de seus governos, por guerras e pelo descaso do mundo a se arriscarem numa aventura em busca de uma vida minimamente digna para eles, carregando expectativas de toda a família, que espera que eles possam enviar dinheiro no futuro.
 
Ocorre que a Europa, cada vez, mais fecha suas portas para os imigrantes e com isso faz com que o risco destas pessoas aumente ainda mais, assim como o número de mortes devido aos grandes riscos. Milhares de pessoas recebem tratamento desumano e morrem silenciosamente todos os anos, apenas por buscar um futuro melhor. Enquanto isso acontece e se agrava, os governos apenas constroem muros e cercas ainda mais altas e a população segue de olhos fechados dentro de seus confortáveis lares. O filme de Claire estava fazendo tratava basicamente sobre isso.
 
De toda forma, apesar do interessante e difícil assunto, eu não acompanhei Claire em sua entrevista, pois o sujeito apenas falavam francês e eu não queria ser uma pedra no sapato de ninguém alí. Saí então para ver a cidade e da parte nova, onde eu estava hospedado, caminhei para a medina e além, para a parte pobre da cidade, onde a pobreza já dominava a paisagem. Oujda era uma cidade de contrastes, onde havia uma grande diferença entre ricos e pobre, mais que em outras cidade do país. Isso acontecia devido à massiva presença dos imigrantes também.
 
Apesar da fronteira com a Argélia estar “fechada” há diversos anos, pessoas de toda África negra, seguem se acomulando na região, na tentativa de entrar na Europa, o que dia após dia fica mais difícil. Assim, eu caminhei por algumas parte mais pobre da cidade e vi um pouco da dura realidade alí existente. Depois disso, voltei ao meu hotel e segui para um famoso hamam da cidade, para relaxar um pouco dentro de uma sauna quente.
 
Passei horas dentro do hamam e depois retornei ao meu hotel, encontrando Claire e saindo então para comer, num pequeno restaurante da cidade e depois apenas descasando dentro do quarto, especialmente devido ao fato de eu estar com um pequeno resfriado e não me sentir muito bem.
 
Domingo (25 de janeiro de 2009)
Oujda - Nador
 
Acordei tarde, quando Claire já estava de pé, pois não me sentia muito bem. Agora tinha certeza de que estava resfriado e precisava descansar. Claire porém tinha ainda alguns planos para hoje, para conversar um pouco mais com o marroquino da organização social, de ir para um hamam e depois de partirmos para uma outra cidade, já na costa do país. Achei que não seria uma boa idéia deixar a viagem para a tarde de hoje, mas como não quis discutir com ela, aceitei os planos, já sabendo que em breve eu voltaria para a Espanha e estaria sozinho novamente.
 
Tomei meu café da manhã e depois fui procurar uma farmácia para comprar um mero paracetamol ou algo do tipo, porém todas as farmácias da cidade estavam fechadas. Voltei então para meu hotel e fiquei escrevendo até o retorno dela, já pelo meio da tarde. Quando ela chegou, sugeri que fossemos comer algo antes de seguir viagem, pois já sabia que a viagem, mesmo sendo curta, nos tomaria tempo. Comemos num restaurante próximo do hotel e depois seguimos para o ponto de taxis coletivos, aonde um taxi cheio sai a cada 5 minutos para a cidade de Nador.
 
Com 7 pessoas espremidas dentro do antigo Mercedes-Benz, seguimos na direção de Nador, a cidade que fica ao lado da cidade espanhola de Melilla (sim, um território espanhol dentro do Marrocos). A viagem durou cerca de 2 horas, saindo do céu azul de Oujda, cruzando uma tempestade e chegando até Nador, sob nuvens negras e ventos que faziam as árvores tombar. Debaixo de uma chuva fina procuramos um hotel barato para ficarmos e encontramos apenas lugares terríveis, o que nos fez escolher um hotel um pouco melhor, perto do mar e com vista para as ondas e árvores que entortavam com o vento.
 
Saímos para comer no restaurante mais próximo e depois voltamos para o hotel para nos protegermos do vento que varria a costa e levantava sacos plásticos e garrafas vazias do chão, deixando as ruas da cidade completamente vazias.
 
Segunda-feira (26 de janeiro de 2009)
Nador
 
Apesar da possibilidade de seguirmos para Melilla ainda hoje, acabamos ficando na cidade, pois os encontros que Claire tinha com pessoas de algumas organizações da região não haviam sido tão pontuais quanto ela esperava e isso atrasou nossa ida para a cidade de Melilla. Depois do almoço ela se reuniu com Shakib, que trabalhava para uma organização marroquina ajudando os imigrantes ilegais que chegam ao país. Eles conversaram bastante em francês e eu acabei não entendendo muito do que estava sendo falado alí na mesa. No final das contas, compreendi que Shakib iria voltar ao nosso hotel com um carro, para nos levar até a fronteira com Melilla, onde estavam os guetos de imigrantes.
 
O combinado era uma hora depois, porém o horário árabe é bem parecido com o horário brasileiro e Shakib apenas chegou 3 horas depois, quando já era tarde demais, e mais que isso, não era possível seguir para a montanha de Gurugu, pois o vento era tanto que tornava qualquer passeio por alí algo impossível. Eles então deixaram tudo combinado para visitar a montanha amanhã, quando o tempo já estivesse melhor.
 
O tempo seguia terrível em Nador, algumas árvores já haviam caído e algumas ruas tinham montanhas de lixo trazido pelo vento, mas o tempo parecia melhorar. Pela noite, ainda lutando contra o vento, fomos até um restaurante especializado em frutos do mar e comemos até não aguentarmos mais. Voltamos então ao hotel, da onde vimos a tempestade seguir fazendo estragos pela cidade a fora e onde dormimos ao som de rajadas de vento.
 
Terça-feira (27 de janeiro de 2009)
Nador – Melilla
 
Acordamos para esperar um amigo de Shakib, que havia se comprometido com Claire a levá-la (comigo junto) para conhecer a montanha de Gurugu, que não ficava longe de onde estávamos, a mais ou menos 15 quilômetros do centro de Nador, já na fronteira com Melilla. Tomamos um café da manhã e esperamos o sujeito aparecer. Uma hora se passou, depois 2 e finalmente 3 horas. Achamos que o sujeito já não viria mais e eu já começava a ficar cansado de tanto esperar, porém foi justamente com um atraso de apenas 3 horas que os sujeitos apareceram. Desta vez eles estavam atrasado até mesmo para o “horário árabe”.
 
Mesmo chegando bem atrasados a nossa saída não foi tão fácil quanto imaginávamos, pois estes sujeitos que chegaram não era bem os donos do carro, mas sim meros passageiros como nós 2. Fomos então encontrar o dono do carro, que levou mais algum tempo até deixar tudo pronto. Quando tudo ficou pronto, os 2 sujeitos resolveram comer. Mais uma hora. E depois que eles comeram seus lanches e fumaram diversos cigarros, é que saímos na direção de Gurugu.
 
Gurugu não era apenas o nome da maior montanha da região, mas também o nome do acampamento ilegal formado por imigrantes africanos que se instalaram na região para arriscar sua entrada na Europa. O que (pelo menos) eu descobri é que a montanha estava bem próxima, que não havia desertos entre Nador e Melilla, mas sim, muitas casas e cidades, e que desde de 2005 não há mais gente vivendo por alí, devido à atuação da polícia e do exército marroquino.
 
Na montanha não encontramos mais do que árvores, pedras e um acampamento do exército marroquino, aparentemente ninguém vivia mais alí. Ao descermos a montanha, em pouco tempo já estávamos de frente com a grande cerca que separa a cidade espanhola de Melilla do resto da região. Uma cerca de 6 metros de altura, que conta com a massiva vigilância do exército marroquino, sendo praticamente impossível de se atravessar. Claro que alí, fotos e qualquer coisa do tipo estava totalmente proibido.
 
Após mais uma pequena volta pela região, chegamos à fronteira destinada aos estrangeiros e veículos. No lado marroquino não havia energia, o que fazia o processo de saída do país algo muito muito lento. De frente ao único guichê encarregado de carimbar os passaportes, não havia muita gente, cerce de 20 pessoas, mas totas amontoadas, brigando para chegar à janela e entregar o seu passaporte para o único sujeito que fazia o trabalho. Depois de 20 minutos de espera, a energia voltou e o processo tornou-se mais rápido e depois de mais uns 20 minutos, passamos a fronteira.
 
Ainda tínhamos a fronteira espanhola para atravessar. Claro que Claire não teve nenhum problema com seu passaporte francês, mas eu precisei responder a algumas perguntas antes de seguir viagem. Por um momento pensei que iria ter problema, como na fronteira com a Inglaterra, mas como aqui é Espanha, a gente é mais traqüila e amiga. Contei então um pouco de minha longa história para o policial e ele me deixou seguir viagem, carimbando meu passaporte e me liberando para entrar em Melilla.
 
Finalmente eu havia conseguido atravessar minha última fronteira, agora estava mais perto de casa. Tinha apenas a Espanha, talvez Portugal, e pronto, já estaria de volta ao Brasil. Por um momento senti uma enorme felicidade por saber que agora me restava apenas voltar para casa e que eu já havia feito tudo o que eu queria, na verdade até mais. Tomamos então um ônibus e fomos para o centro de Melilla, à procura de um hotel barato para ficarmos.
 
Apesar de ser evidente que já não estávamos mais no Marrocos, mas sim na Europa, Melilla, tinha um pouco de seu vizinho africano. Os hoteis mais baratos não eram mais que pequenos quartos destinado à alta prostituição da cidade. Não foi muito difícil de perceber isso e quando notamos este detalhe, resolvemos procurar o lugar mais limpo. Depois de algumas tentativas encontramos um lugar razoável e ficamos por alí, saindo para comer e depois apenas encerrando nossa estadia marroquina, com este retorno à Europa, ainda que em território africano.

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