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Sábado (29 de novembro de 2008)
Alicante – Bruxelas
 
Despertei em torno das 4 da manhã, quando fazia um frio congelante no lado de fora da casa. Não tinha escolha e busquei fazer tudo rapidamente. Em pouco tempo já estávamos no carro de David, com o aquecedor ligado para seguirmos até o aeroporto. A viagem foi rápida, pois as estradas estavam vazias e  logo estavamos no aeroporto de Alicante. Despedi-me de David, agradeci a ajuda que ele estava me dando e senti uma estranha sensação de deixar minha bicicleta para trás, mas segui em frente, em direção ao avião e ao frio dos países mais ao norte.
 
O avião não se atrasou e logo decolou em direção à Bruxelas. O vôo foi curto e bastante econômico. A passagem não havia me custado nada, o que é comum em algumas companhias aéreas européias, como a que eu tomei, chamada Ryanair, provavelmente a mais barata de todas. Apesar da ausência de qualquer conforto encontrado em outras companhias aéreas pelo mundo a fora, a viagem foi tranquila, sem surpresas e bastante pontual, chegamos antes mesmo do esperado no aeroporto de Charleroi, na Bégica. Ao desembarcar, descobri que este aeroporto estava bastante distante de Bruxelas, a cerca de 100 quilômetros e para chegar na capital do país, eu precisaria tomar um ônibus nada barato.
 
Sem escolha, eu tomei o ônibus e cheguei na estação central de Bruxelas, em francês Gare du Midi, onde iria encontrar Julie. O problema agora era ligar para ela, já que não tinham um celular e não havia nenhum telefone que funcionasse com moedas por alí e eu não queria gastar meus euros num caro cartão telefônico que eu quase não usaria mais. Algum tempo depois descobri um centro de ligações, um desses lugares onde se liga de um telefone fixo e se paga ao final da ligação.
 
Combinei então com Julie de encontrá-la em meio a estação, ela sugeriu um lugar e eu fui para lá. O problema é que eu não conseguia encontrar o lugar que ela me dizia. Procurei, procurei e nada. Fui obrigado a ligar para ela novamente e sugerir um outro lugar. Finalmente eu consegui encontrá-la e da estação caminhamos até a casa de Galia, que vivia no centro da cidade, não muito longe dalí. Foi bom reencontrar Galia, ela havia acabado de acordar e estava feliz em me ver. Conversamos enquanto comiamos o café da manhã que haviamos trazido e deixamos o tempo passar naquele apartamento aquecido.
 
Depois de algum tempo na casa de Galia, saímos para ver um pouco mais da cidade. Bruxelas era um lugar curioso, pois ao mesmo tempo que tinha incríveis prédios antigos, logo ao lado deles havia novos prédios sem estilo algum, para não dizer feios. Essa mistura de antigo e novo, sob uma relativa desorganização dava uma cara especial a Bruxelas, o que agora me fazia entender o porque de diversas pessoas não gostarem da cidade.
 
As atrações da cidade também eram limitadas. Quase tudo ficava no centro e quase tudo se resumia a Grand Place (“Grande Praça”), onde estavam localizados diversos dos mais impressionantes prédios da cidade. A decoração de natal, apesar de estranha, também atraia mais turistas ao local. Essa era a principal atração de Bruxelas aparentemente, a segunda maior atração era algo mais curioso, uma estátua de cerca de 30 centímetros de altura, representando um garoto urinando. A estátua em si não era uma grande atração, o que mais chamava a atenção é que constantemente o boneco estava vestido, quase sempre com uma roupa diferente, de acordo com o dia. Ele já havia se vestido de rei, jogador de futebol, papai noel, palhaço e outras centenas de temas, assim como já tinha urinado não apenas água, mas também cerveja, vinho e leite. Esse era o senso de humor belga e isso era uma das maiores atrações da cidade.
 
Do manequin pis, seguimos caminhando pelas frias ruas da cidade, vendo um pouco de sua arquitetura, de seus cafés, de suas praças e de seus imigrantes. Se eu já havia me assustado com o número de imigrantes que eu havia visto em outros pontos da Europa, agora eu estava ainda mais surpreendido. Por vezes eu não via ninguém com uma aparência tipicamente européia, apenas encontrava marroquinos, árabes, africanos, gregos etc., mas nada de belgas. Logo descobri que essa é a Bélgica, uma mistura de culturas sem fim, todos belgas e os belgas sem uma aparência definida. Um simples exemplo disso é o fato deste pequeno país, ser dividido em 3 culturas distintas: flemish (flamengo), francês e alemão.
 
Julie vivia numa área famosa por abrigar quase que apenas imigrantes, alí não foi difícil escutar português, árabe, espanhol e outras linguas. A Bélgica parecia uma confusão e uma confusão fria. A temperatura já beirava o zero e as previsões diziam que a temperatura iria cair ainda mais. Esse frio não deixava as pessoas ficarem na rua por muito tempo, entrar em algum lugar aquecido era necessário. Assim corremos para o apartamento de Julie e alí ficamos pelo resto do dia, cozinhando e conversando.
 
Domingo (30 de novembro de 2008)
Bruxelas
 
Julie havia tirado alguns dias de folga para ficar comigo, pois geralmente ela trabalha uma semana sim e outra semana não. Esta semana ela estava de folga, porém já teria que trabalhar de amanhã até domingo, porém ela havia conseguido tirar 2 dias de folga para ficar comigo. Hoje passamos o dia pensando em como utlizar estes 2 dias que tinhamos. Poderiamos ficar em Bruxelas, o que já estava ótimo para mim, já que eu buscava um pouco de descanso, ou poderiamos ir para Amsterdam, numa viagem de poucos dias, para encontrar Daniel por lá.
 
Eu havia falado com ele pela internet e ele estava me esperando na Holanda, o que me colocou numa situação delicada. Ele havia ficado mais de um mês em Bruxelas, na casa da Julie, o que eu não havia entendido muito bem e agora estava na Holanda, querendo que eu fosse para lá. Entender o que passava na cabeça de Daniel talvez fosse querer demais, mas um pouco de descanso não era pedir muito. Mesmo assim, Julie e eu, decidimos ir para Amsterdam amanhã pela manhã, aproveitando os dias de folga que ela tinha.
 
Durante o dia cozinhei um almoço e tentei trabalhar um pouco em frente à internet, mas a internet funcionava mais como uma distração para mim que uma ajuda, o que me fazia não produzir o tanto quanto eu queria e precisava. Pela noite, saímos para o centro da cidade, para jantar com Galia e uma amiga, num restaurante que serve pratos belgas. Definir um prato belga é um pouco difícil, pois a parte francesa belga compartilha quase tudo com a França e a parte flemish, com a Holanda. De toda forma, eu comi um prato que aparentemente é apenas belga, chamado Stoemp, que é basicamente lingüiças com purê de batata. Simples, porém muito bom.
 
Depois desse jantar, cada um seguiu uma direção e Julie e eu acabamos voltando para seu apartamento para arrumarmos tudo para nossa viagem para Amsterdam amanhã.
 
Segunda-feira (1º de dezembro de 2008)
Bruxelas – Amsterdam
 
Tentamos acordar cedo, mas nosso cedo não foi o suficiente para que fizessemos tudo o que queriamos. Os dias nesta parte da Europa, além de muito frio, costumam ser bastante curtos também, com o sol saindo somente depois das 8 da manhã e se pondo por volta das 4 da tarde. Isso é terrível para a disposição, não dá vontade de se fazer nada, a não ser ficar em casa, perto do aquecedor. Mesmo assim, tinhamos que tomar nossa decisão de ir ou não para Amsterdam e pelo princípio da tarde seguimos para a estação de ônibus para ver os preços e horários dos ônibus.
 
Tivemos dúvidas, pois como Julie trabalharia na quarta-feira, ela teria que estar de volta à Bruxelas amanhã a noite, o que faria desta viagem algo muito difícil, já que mal teriamos tempo em Amsterdam. Depois de pensar um pouco, pesquisar os horários dos trens e pensar mais um pouco, concluimos que ela poderia voltar à Bruxelas na quarta-feira de manhã e ir trabalhar, o que viabilizava nossa viagem à Amstedam.
 
Subimos então no ônibus e seguimos para a Holanda, que ficava a alguns minutos de Bruxelas. A viagem durou cerca de 2 horas e pouco e nos deixou numa estação de metrô próxima do centro de Amsterdam. Seguimos então para a estação central e a estação central e alí buscamos encontrar algum hotel barato para nos instalarmos e deixarmos nossas coisas. Como não tinhamos nenhum mapa ou guia, a busca não foi muito simples. Rodamos o centro algumas vezes até encontrar um lugar que eu poderia pagar. Infelizmente o lugar era terrível, um quarto com quase 20 camas, escuro e cheirando a chulé, porém o mais barato que havia.
 
Ficamos por alí e depois saímos para comer na cidade, que não era mesmo uma cidade comum. Por todos os cantos havia gente fumando maconha, coffee shops e sex shops eram mais comuns que restaurantes. O centro da cidade tinha uma certa vida, mas não é dificil de notar que essa vida era um pouco suja e decadente. Os próprios holandeses eram os primeiros a admitir isso, mostrando que o uso de algumas drogas no país ficava mais restrito aos imigrates que alí vivem, que aos próprios holandeses, que não se deixam seduzir pelo fato de certas drogas serem legalizadas.
 
O frio era forte nas ruas de Amsterdam e já chegava a números negativos pela noite, o que não deixava nossa caminhada algo muito agradável. Assim, depois de conhecer um pouco o centro de Amsterdam, voltamos para nosso albergue e ficamos por alí até o sono chegar.

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