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Mutilação genital feminina Imprimir Recomendar
O que se conhece pela nomenclatura “mutilação genital feminina”, “mutilação vaginal”, “circuncisão feminina” ou “corte genital feminino” é um procedimento que envolve a remoção parcial ou total da parte externa da genitália feminina ou outras injúrias aos orgãos genitais fmininos. Os motivos de tal procedimento geralmente são de origem cultural, religiosa e outros não-terapeuticos.
 
Este tipo de “operação” é praticada praticamente em todo o mundo, estando fortemente concentrado no continente africano. O que mais chama a a atenção para esta prática é seu caráter polêmico. A oposição a este tipo de ato está baseada na consideração à garota operada, ao risco de tal procedimento e às suas conseqüências. Mesmo com grandes esforços de organizações internacionais, como a OMS (Organização Mundial de Saúde), pouca mudança ocorreu em relação às crenças e tradições que leva as pessoas a realizarem tal ato.
 
Há diversas variações de circuncisão feminina, as quais são dividas basicamente em 4 tipos distintos pela OMS:
 
Tipo I: consiste na remoção total ou parcial do clitóris e/ou da região que o envolve, incluindo o prepúcio;
Tipo II: é a remoção parcial ou total do clitóris e dos pequenos lábios, com ou sem a excisão dos grandes lábios;
Tipo III: consiste na infibulação mais excisão, em outras palavras, o estreitamente do canal vaginal através do corte e junção dos pequenos e/ou grandes lábios, com ou sem a excisão do clitóris. Também é conhecida como circuncisão faraônica.
Tipo IV: termo aplicado a todos os outros tipo de mutilação nocivos à genitália feminina, sem fins medicinais, como furar, dilacerar, queimar, machucar e cauterizar. Este tipo é encontrado mais entre grupo étnicos isolados na África.
 
O tipo III, apesar de muito forte, ainda é amplamente praticado na África, fazendo a remoção completa da genitália externa, incluindo pequenos e grandes lábios, depois unindo a parte externa da vulva com grampos ou costurando. Em muitos casos a garota é obrigada a ficar com as pernas amarradas por cerca de 2 a 6 semanas, dando tempo para que a cicatrizaçao completa se realize. Assim, o orgão sexual feminino praticamente desaparece, restando apenas uma pequena abertura para a passagem de urina e sangue mestrual.
 
O procedimento de tipo III pede certas habilidades e por isso precisaria ser realizado por um cirurgião e com a utilização de anestesia, no entanto, na maioira das vezes é apenas realizado por uma mulher idosa do vilarejo, com objetos sujos e infectados (como lâminas de barbear, cacos de vidro, facas e outros objetos cortantes), e sem a utilização de anestesia.
 
Para que a mulher possa ter relações sexuais é necessário que seja realizado o procedimento inverso, o de abertura da vagina. Para o nascimento natural de uma criança é necessário que seja ralizada a abertura também, mas geralmente a própria mulher pede, após o parto, que sua vulva seja fechada novamente. Essa prática resulta em várias complicações médicas, como morte do nascituro, morte da mãe, alto risco de hemorragia e infecções pós-parto.
 
Estima-se que haja cerca de 130 milhões de mulheres afetadas de alguma forma por este tipo de prática, com cerca de 2 milhões de circuncisões sendo realizadas a cada ano, o que está amplamente concentrado nos países africanos. O Egito continua sendo o líder de casos, seguido pelo Sudão, Etiópia e Mali. Recentemente o governo egípcio proibiu tal prática, no entanto operações continuam a ocorrer de forma escondida, o que pode ser ainda pior, pois assim há ainda menos higiêne e cuidados com o paciente.
 
A maioria dos países africanos consideram este ato ielgal, mas não oferecem nenhum outro tipo de obstáculo à realização desse tipo de prática, o que faz com que ela seja relizada abertamente. Já no Oriente Médio e países árabes, a prática do tipo I e II ainda continuam acontecendo, porém de forma secreta, sob a denominação de Circuncisão Sunita. A infibulação ainda é de preferência exclusiva das tradições africanas. Pode-se encontrar uma razoável porcentagem deste procedimento ainda do norte da Arábia Saudita, sul da Jordânia, vilarejos no Iraque, Síria, oeste do Irã e sul da Turquia.
 
ORIGEM E CRENÇAS
 
A prática da mutilação vaginal é anterior tanto ao islamismo quanto ao cristianismo, mas integrando e cultura e tradições do povo da época. Um documento grego de 163 b.C. menciona que garotas do Egito eram submetidas à prática da circuncisão, o que faz com que se creia que tal procedmiento tenha se originado no Egito, ao longo do vale do Nilo, na época dos faraós. Múmias encontradas recentemente mostram que procedimentos do tipo I e III já eram executados desde aquela época. Não se sabe no entanto, como essa prática se disseminou entre outro grupo, passando a ser praticada por muçulmanos, cristão e animistas.
 
Isso mostra que a circuncisão feminina é uma prática que transcende a religião, sendo mais uma prática cultural que religiosa. Isso explica o porque do fracasso de diversas pessoas e instituições ao buscar compreender tal prática somente pelo prisma religioso. Os argumentos para justificar esta circuncisão variam bastante, mas geralmente contam com os argumentos:
 
- Manter a limpeza e higiêne;
- Ajuda a ter uma boa saúde;
- Preserva a virgindade;
- Aumenta a fertilidade;
- Previne a promiscuidade;
- Cria mais oportunidade de matrimônio;
- É tido como estético;
- Potencializa a performance sexual masculina e seu prazer;
- Promove a coesão política e social.
 
Apesar de polêmicas, estas razões podem ser compreendidas se analizadas de acordo como contexto da sociedade que as realiza. Vale lembrar que tais práticas são executadas por grupos que vivem sob condições completamente diversas das conhecidas hoje no mundo civilizado. No caso de manutenção da limpeza e higiêne, o que é esta prática faz é retirar partes responsáveis pela secreção de substâncias. Isso numa sociedade tribal, que não conta com saneamento nem água encanada, pode ajudar a fazer com que a garota não contraia doenças por falta de higiêne. No entanto, tais partes do corpo seriam essenciais para a manutenção de uma boa saúde da mulher, o que cria polêmica neste ponto.
 
A preservação da virgindade, assim como a prevenção da promiscuidade é ocorre pelo fato da mulher perder a parte de seu corpo responsável pelo prazer, o que faz com que na maioria das vezes ela perca boa parte de seu interesse sexual, o que é apenas interessante para uma sociedade cujas regras são ditadas por homens. No entanto, pesquisas recentes provam que eliminar o prazer feminino não é tão simples assim e grande parte das mulheres circuncisadas ainda continuam a ter prazer e orgamo.
 
Há ainda uma série de razões mais polêmicas, que dizem que tal prática ajuda a previnir a mulher de desenvolver patologias como depressão, histeria, insanidade e cleptomania. Sendo mais um tentativa de uma sociedade masculina regrar o comportamento de suas mulheres.
 
Essas são as razões, que já são polêmicas, mas o problema está nas conseqüências de tal procedimento que geralmente é realizado por alguma pessoa sem prática, com instrumentos não esterelizados e sem anestesia. Isso resulta geralmente numa infecção da região operada, transmissão de HIV, sangramente excessivo e possibilidade de um choque operatório já que a dor é excessiva. O resultado disso pode significar danos para as vias urinárias e o sistema reprodutor, podendo levar à mulher à infertilidade e até mesmo à morte.
 
Por vezes, o processo é tão chocante que pode resultar na morte da garota, como foi o caso de uma menina egípcia de 12 anos, que morreu na mesa de operação após uma dose excessiva de anestesia, fazendo o governo do Egito a proibir a prática de tal procedimento em 2007. Apesar disso, mudanças reais ainda parecem distantes tendo em vista que esta tradição já é parte da sociedade e não será uma lei que irá alterá-la tão faculmente. Assim, como nos demais países africanos que proíbem tal prática, este procedimento apenas se tornará secreto e conseqüentemente mais arriscado para a garota que é obrigada a ser operada num ambiente sujo e por pessoas despreparadas.
 
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