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O Sudão é maior país da África, com cerca de 2.5 milhões de km², localizado na região nordeste do continente. É coberto, ao norte, por um extenso deserto que se estende por quase um terço do território. Ao sul, sucedem-se pântanos e florestas tropicais, que dificultam a plantação de lavouras. Nessa região, há também savanas, onde vivem animais de grande porte, como rinocerontes, leopardos, elefantes e girafas.
 
A economia do Sudão baseia-se na pecuária e na agricultura de subsistência, desenvolvida segundo técnicas milenares de irrigação e plantio. O algodão é o principal produto de exportação. Boa parte da população ocupa principalmente as terras vizinhas ao rio Nilo, que atravessa o país, e seus afluentes, ou se concentra junto a poços de água. Cartum, localizada às margens do Nilo, no Sudão central, é a capital e principal cidade.
 
O país enfrenta uma guerra civil desde a década de 1950, devido à rivalidade entre os árabes muçulmanos - grupo majoritário no norte do país - e os negros africanos do sul, onde os cristãos e os animistas (adeptos de religiões tribais) são maioria. Desde 2002, governo e rebeldes tentam chegar a um acordo, mas, apesar dos avanços das negociações, a pacificação do país não está totalmente garantida.
 
Os conflitos acabaram prejudicando a agricultura, de forma que a fome e a guerra já mataram mais de 2 milhões de pessoas. Muitos sudaneses sobrevivem atualmente da ajuda humanitária de outras nações.
 
HISTÓRIA
 
Após o ano 3000 a.C., o Egito invadiu muitas vezes o que hoje constitui o Sudão, conhecido antigamente como Núbia. O nome do atual país deriva da expressão árabe Bilad-as-Sudan, ou "terra dos negros", usada desde a Idade Média. O reino Cuch, importante centro cultural e de comércio, estabeleceu-se na parte nordeste da região a partir de meados de 1500 a.C. até 350 d.C.
 
Vários reinos cristãos surgiram no território do Sudão a partir do séc. VI e ali permaneceram até o séc. XII. Em 1504, muçulmanos negros chamados funjes estabeleceram sua capital em Sennar, ao sul de onde é atualmente Wad Medani. Os funjes conquistaram quase todo o território sudanês a partir do séc. XVI, mas seu poder começou a declinar no século XIX. Em 1821, o Egito dominou os funjes e assumiu o governo do Sudão.
 
Em 1881, Muhammad Ahmed, líder muçulmano, proclamou-se almahdi (o guia) e liderou com êxito a revolta contra os egípcios. Seu sucessor, o califa Abdullahi, dominou o Sudão até 1898, quando tropas britânicas e egípcias o reconquistaram.
 
Em 1899, o Reino Unido e o Egito assinaram um tratado de controle conjunto do Sudão. O governo britânico nomeou um governador-geral e quase todos os ocupantes dos cargos mais importantes. Alguns nacionalistas egípcios se opuseram ao colonialismo britânico no Sudão. Em 1924, tropas egípcias no Sudão se amotinaram contra os britânicos. A rebelião fracassou e a maioria dos oficiais egípcios foi expulsa.
 
Depois da Segunda Guerra Mundial, os sudaneses com maior grau de instrução passaram a reivindicar a independência. Em 1953, o Reino Unido e o Egito concordaram em conceder autonomia gradual ao Sudão. Oficialmente, o país tornou-se independente em 1° de janeiro de 1956.
 
Desde a independência, o Sudão vem enfrentando problemas políticos e a guerra civil. A partir do final da década de 1960, o chefe de governo foi mudado várias vezes. Em outubro de 1969, o major-general Gaafar al-Nimeiry assumiu o governo. Foi deposto por militares de esquerda em julho de 1971, mas reconquistou o poder em seguida. Em outubro, elegeu-se presidente do Sudão e firmou um acordo com os rebeldes do sul, concedendo certa autonomia à região.
 
Durante a década de 1970, as tensões entre muçulmanos e negros continuaram, devido à política de conversão forçada ao Islamismo utilizada por Nimeiry. Por outro lado, a corrupção e a ineficiência do governo na condução da política econômica provocaram uma onda de protestos populares, que foram reprimidos com brutalidade.
 
Em 1985, os militares depuseram Nimeiry, prometendo entregar o poder aos civis. No ano seguinte, após vitória apertada nas eleições, Sadiq al-Madhi assumiu o cargo de primeiro-ministro. Seu governo não conseguiu solucionar a crise econômica e encerrar o conflito separatista liderado pelo Exército de Libertação do Povo Sudanês (SPLA).
 
Com um golpe de Estado, o general Omar Hassan al-Bashir assumiu o poder em 1989 e adotou um discurso mais duro contra os rebeldes do sul. Em 1991, milhares de refugiados do sul foram isolados e cerca de 600 mil morreram de fome. Os organismos internacionais conseguiram convencer o governo a permitir o envio de alimentos e remédios.
 
Em 1994, outra ofensiva do governo provocou o êxodo de 1 milhão de refugiados para os países vizinhos. A resposta internacional foi imediata. O Sudão foi excluído do Fundo Monetário Internacional (FMI), condenado pela comissão de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) e acusado de apoiar grupos terroristas, como o que tentou matar Hosni Mubarak, presidente cristão do Egito. Em 1996, após bombardeios contra a população civil, a ONU decretou o bloqueio aéreo do país.
 
Apesar disso, os muçulmanos radicais continuaram apoiando Bashir e ele foi eleito por voto popular em 1996, sob acusação de fraude eleitoral. No início de 1998, a fome voltou a matar centenas de milhares de pessoas, e a paz ficou ainda mais distante.
 
Em fevereiro, o vice-presidente Al-Zubair Mohamed Saleh foi assassinado pela guerrilha. Nessa época, os EUA acusaram o Sudão de patrocinar o terrorismo internacional. Após os atentados às embaixadas norte-americanas na Tanzânia e no Kenia em setembro de 1998, o governo norte-americano lançou mísseis contra uma fábrica de Cartum suspeita de produzir e armazenar armas químicas.
 
Ainda em 1998, foi aprovada outra Constituição, permitindo a existência de partidos políticos, que tinham sido banidos em 1989. Em 1999, o Sudão começa a exportar petróleo, extraído no sul do país. Em 2000, Bashir foi reeleito, sob novas suspeitas de fraudes. Todos os partidos de oposição boicotaram a eleição por causa da falta de garantias de isenção na apuração dos votos. No mesmo período, houve eleições legislativas, vencidas pelo Partido do Congresso Nacional (NC), do presidente Bashir. Após os atentados da Al Qaeda contra os EUA, em 2001, o Sudão foi acusado pelos norte-americanos de apoiar o terrorismo, mas Al-Bashir anunciou que seu país participaria da luta antiterrorista liderada pelos EUA. Logo depois, a ONU suspendeu as sanções contra o Sudão.
 
No início de 2002, governo e rebeldes acertaram um cessar-fogo provisório e deram início à negociação de paz, com mediação de outros países. O processo avançou ao longo desse ano e de 2003, com os primeiros encontros entre Al-Bashir e John Garang, líder do SPLA. Em julho de 2002, houve um acordo preliminar, estabelecendo que o sul não precisaria se submeter à Sharia e prevendo a realização de um plebiscito dentro de seis anos para decidir sobre a independência dessa região de maioria cristã. Em setembro de 2003, foram estabelecidas a retirada das tropas governamentais do sul do país e a integração progressiva dos membros do SPLA às forças oficiais, para formar um Exército unificado. Em janeiro de 2004, novo acordo definiu a divisão das receitas geradas pelo petróleo - cujas reservas concentram-se no sul - eqüitativamente entre o norte e o sul do país.
 
Apesar dos avanços das negociações oficiais, os conflitos ainda persistiam, com tropas rebeldes lutando entre si e contra as forças governamentais. Em janeiro de 2004, a repressão a uma rebelião em Darfur, na região ocidental, levou mais de 100 mil pessoas a buscarem refúgio no Chad. Além da questão dos refugiados de guerra - cerca de 3 milhões de sudaneses foram deslocados dentro do Sudão e para países vizinhos -, o processo de paz esbarra na disputa pelas regiões de Nuba, Nilo Azul e Abyei.
 
 Desde meados dos anos de 1980, os três territórios lutam contra o governo central, sendo reivindicados pelo SPLA para fazerem parte da zona autônoma a ser votada em plebiscito, apesar de geograficamente pertencerem ao norte. Para firmar a paz completa, os rebeldes exigem, ainda, que a Sharia não seja aplicada na capital, Cartum.
 
Em 2008 teve início o censo, visando contabilizar a população do país e definir quem pertence o sul e ao norte do Sudão, mesmo assim o processo gerou muita polêmica, sendo recusado a ser feito pelos rebeldes de Darfur, que alegam que o governo pode deturpar as informações obtidas.
 
Crise humanitária em Darfur
 
O conflito na região de Darfur, no desértico oeste do Sudão, chama a atenção do mundo há dois anos. O antigo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, afirmou que era "a mais grave crise humanitária" do planeta. Os combates já causaram mais de 70 mil mortes e há 2,2 milhões de refugiados, parte dos quais no vizinho Chade.
 
O conflito começou em fevereiro de 2003, quando grupos armados iniciam um movimento separatista, acusando o governo do Sudão – vinculado à elite islâmica do país – de desprezar a população local. Darfur é habitado por uma maioria negra, ligada à agricultura, e uma minoria nômade (autodenominada árabe), que vive da criação de animais. O governo sudanês reage com violência à ação dos separatistas e se apóia na milícia árabe local chamada Janjaweed, que inicia uma "limpeza étnica", matando milhares de pessoas das populações negras e praticando estupros, pilhagens e a destruição de aldeias inteiras. No decorrer de 2004, cresce a pressão internacional sobre o governo do  Sudão para desarmar a milícia. Mesmo chamando os Janjaweed de "criminosos", o governo sudanês não age contra eles.
 
Em abril começaram as negociações entre o governo e os separatistas, e se chega a um cessar-fogo não efetivado até o fim de 2004. A partir de julho, a União Africana desloca tropas para proteger os mais de 130 campos de refugiados na região. Mas as condições nos campos são terríveis, e a Organização Mundial de Saúde afirma que morrem neles 10 mil pessoas ao mês, vitimadas pela fome, pelas doenças e pela violência. A ONU exerce forte pressão e já retomou algumas sanções contra o país, incluindo o embargo comercial de alguns país, incluindo os Estados Unidos.
 
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