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O Paquistão (Pakistan, que significa “Terra dos Puros”) é uma nação muçulmana do centro-sul da Ásia. Conquistou a independência em 1947, ocupando uma área no noroeste da Índia. A Caxemira, região na cordilheira do Himalaia, de maioria muçulmana, é motivo de disputa entre os dois países desde fins do séc. XX. Desde então, o Paquistão trava três guerras contra a Índia, país com o qual disputa a região da Caxemira, de maioria muçulmana. As duas nações possuem armas nucleares.
 
O país tem uma população de cerca de 160 milhões de habitantes, distribuídos nos 796 mil km² de seu território, mas concentrados no vale do Rio Indo. A economia do Paquistão baseia-se em grande parte na agricultura, sendo o trigo e o algodão os principais produtos. Sistemas de irrigação extensivos transformaram as planícies de Punjab e Sind, na parte leste do país, em regiões agrícolas férteis onde se concentra a maioria dos paquistaneses. O restante do país é formado por montanhas elevadas, planaltos e desertos de areia. O Monte K2, o segundo pico mais alto do mundo, fica na parte da Caxemira controlada pelo Paquistão. Islamabad é a capital (cerca de 500 mil habitantes) e Karachi, o principal porto marítimo e maior cidade (com 10 milhões de habitantes).
 
A população é formada por diversos grupos étnicos – punjabis 49%, patanes 13%, sindis 13%, saricolis 10%, baluques 7%, outros 8% -, cada um com costumes e língua próprios, embora o urdu seja o idioma oficial e o islamismo a religião de mais de 96% da população. A violência sempre marcou a história do Paquistão, com conflitos étnicos e intensa rivalidade entre muçulmanos sunitas, que são majoritários, e xiitas. Desde que o país envolveu-se na luta antiterrorista dos EUA contra o regime Taliban do Afeganistão, em 2001, as tensões internas se agravaram, resultando em muitos atentados e centenas de mortes.
 
 
HISTÓRIA
 
Inicialmente, a história do Paquistão se entrelaça com a indiana. Entre 3500 e 2700 a.C., uma das primeiras grandes civilizações do mundo desenvolveu-se no vale do Indo, onde hoje é o Paquistão. Em seguida, muitos povos do sudoeste e do centro da Ásia chegaram à região. Por volta de 1500 a.C., acorreram os arianos (segundo a teoria majoritária).
 
No séc. VI a.C., os persas conquistaram Punjab, que passou a fazer parte do império Aquemênida. Em 326 a.C., Alexandre, o Grande, assumiu o controle de quase todo o Paquistão. Alguns anos depois, o imperador Chandragupta Mauria anexou a região ao império Mauria.
 
Depois de 230 a.C., os gregos do Estado independente de Bactria invadiram o Vale do Indo e estabeleceram um reino. Em seguida, chegaram os citas, os partos e os kushitas. Estes últimos governaram o Afeganistão, o Paquistão e o noroeste da Índia de 50 d.C. até meados do séc. III. Eles controlavam as rotas de comércio da China para a Índia e do Oriente Médio. No séc. IV, o Vale do Indo tornou-se parte do império Gupta e, no séc. V, caiu sob domínio huno.
Em 711, os árabes muçulmanos invadiram Sind. A partir do ano 1000, turcos muçulmanos chegaram ao norte do Paquistão, vindos do Irã. O governante turco Mahmud de Ghazni criou um reino muçulmano que, com o tempo, passou a abranger todo o Vale do Indo. Lahore tornou-se a capital e transformou-se num importante centro de cultura muçulmana.
 
Em 1206, a maior extensão do Paquistão tornou-se parte do sultanato de Délhi, um Império Muçulmano no norte da Índia que existiu até 1526, quando Baber, governante muçulmano do Afeganistão, invadiu a Índia e estabeleceu o Império Mogol. Esse império começou a declinar no séc. XVIII. Diversos grupos, até mesmo persas e afegãos, passaram a controlar o Paquistão. Os reinos sikhs fortaleceram-se em Punjab no início do séc. XIX.
 
A partir do séc. XVI, os comerciantes europeus começaram a competir pelo controle do lucrativo comércio entre a Europa e as Índias Orientais. Inúmeras companhias de comércio estabeleceram povoados na Índia. Na década de 1740, a Companhia da Índia Oriental assumiu o controle político de grande parte da Índia. A companhia travou batalhas em Punjab e Sind, na década de 1840, e anexou esses territórios aos seus domínios.
 
O governo inglês assumiu o controle da companhia em 1858 e os domínios da companhia tornaram-se conhecidos, então, como Índia Britânica. Em 1900, a Índia Britânica compreendia todo o Paquistão.
 
Os ingleses introduziram numerosas reformas. Em fins do séc. XIX, muitos hindus ocupavam cargos nos negócios e no governo, enquanto a maioria dos muçulmanos continuava a trabalhar como agricultor e operário. Em 1906, os muçulmanos formaram uma organização política própria, chamada Liga Muçulmana.
 
Os Movimentos pela Independência na Índia começaram a se fortalecer no início do séc. XX. Mas, ao mesmo tempo, as diferenças entre hindus e muçulmanos aumentavam. Quase todos os muçulmanos achavam que os hindus seriam muito mais poderosos caso a Índia se tornasse independente. No início da década de 1930, a Liga Muçulmana passou a reivindicar a criação de uma nação muçulmana à parte. O nome Paquistão (Terra dos Puros) foi escolhido para a nação proposta.
 
Em 1940, a Liga exigiu a partição da Índia, obedecendo a linhas religiosas. Os ingleses e os hindus rejeitaram a idéia. Houve conflitos entre muçulmanos e hindus em meados da década de 1940.
 
Em 1947, a Inglaterra e os líderes hindus concordaram com a partilha. Em agosto, o Paquistão tornou-se um domínio independente na Comunidade Britânica. O país foi criado a partir do noroeste (Paquistão Ocidental) e nordeste (Paquistão Oriental – atualmente Bangladesh) da Índia, onde a maioria era muçulmana. Muhammad Ali Jinnah tornou-se o primeiro chefe do governo.
 
As lutas entre hindus e muçulmanos continuaram mesmo depois da partição. Milhares morreram enquanto migravam entre a Índia e o Paquistão. Em 1948, os dois países entraram em guerra por causa da Caxemira. O Paquistão exigia a região porque a maioria da população era muçulmana. Depois da invasão paquistanesa, o governante hindu da região anexou a Caxemira à Índia. Tropas indianas e paquistanesas lutaram até 1949, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) conseguiu um cessar-fogo.
 
O Paquistão tornou-se uma república em 1953 e o major-general Iskander Mirza foi eleito o primeiro presidente. Líderes militares controlaram o governo no final da década de 1950 e em toda a década de 1960. Em 1956, o Paquistão iniciou seu primeiro plano qüinqüenal de desenvolvimento econômico. Mas a maioria dos projetos dirigia-se ao Paquistão Ocidental.
A disputa pela Caxemira provocou novas lutas entre a Índia e o Paquistão em 1965. Mais uma vez, a ONU arranjou um cessar-fogo.
 
Muitos paquistaneses do leste opunham-se ao controle do governo do país, da economia e das Forças Armadas pelos paquistaneses do oeste. O Paquistão Oriental passou a reivindicar uma Constituição que lhe assegurasse certa autonomia de governo.
 
Em março de 1971, o presidente Yahya Khan adiou a primeira reunião da Assembléia Nacional. Os paquistaneses do leste organizaram um protesto e Khan ordenou que o Exército ocupasse o Paquistão Oriental, que resistiu, dando início à guerra civil. Dias depois, o Paquistão Oriental declarou-se uma nação independente chamada Bangladesh.
 
Em dezembro, a Índia aliou-se a Bangladesh e o conflito alastrou-se. Duas semanas depois da entrada da Índia na guerra, o Paquistão se rendeu. Logo depois, Khan renunciou. Seu sucessor foi Zulfikar Ali Bhutto, líder do Partido do Povo do Paquistão (PPP).
Em conseqüência da guerra, a economia do Paquistão ficou seriamente abalada. Em 1972, o país retirou-se da Comunidade Britânica. Bhutto restaurou o governo constitucional e devolveu o poder aos civis. A Índia concordou em retirar suas tropas do território paquistanês, mas não da Caxemira.
 
O Paquistão adotou uma nova Constituição em 1973 e Bhutto tornou-se o primeiro-ministro. A acusação de fraude nas eleições parlamentares de 1977 levou a uma onda de violência entre os opositores e defensores de Bhutto. Em julho, líderes militares depuseram o primeiro-ministro e assumiram o controle do governo.
 
Em 1978, o general Zia-ul-Haq assumiu a Presidência, sendo reeleito em 1985. O governo de Zia foi marcado por conflitos e guerras. Em 1979, o governo apoiou guerrilheiros muçulmanos contra forças soviéticas instaladas no Afeganistão. A lei islâmica tornou-se a lei máxima do país. Em 1986, Zia revogou a lei marcial e restaurou a Constituição.
Após a morte do presidente em 1988, Ghulam Ishaq Khan assumiu a Presidência e a oposicionista Benazir Bhutto, filha do ex-presidente Bhutto, foi eleita primeira-ministra. Em 1990, Ghulam Ishaq Khan destituiu Benazir, dissolveu o Parlamento e convocou eleições. Nawaz Sharif tornou-se o primeiro-ministro.
 
Em 1993, uma grave crise política provocou a queda de Sharif e do chefe de Estado. O partido de Benazir venceu as eleições em outubro e ela voltou a ser primeira-ministra. Faruk Leghari foi eleito presidente. Em 1994, denúncias de que o país possuía uma bomba atômica movimentaram a comunidade internacional e acirraram o conflito entre a Índia e o Paquistão pela posse da Caxemira. O presidente demitiu Benazir e convocou eleições para 1997.
 
Os conflitos continuaram na Caxemira. Em dezembro de 1997, Leghari renunciou e Rafiq Tarar foi eleito presidente pelo Parlamento. Em 1999, Índia e Paquistão enfrentaram-se novamente. O agravamento do conflito preocupou todo o mundo, pois ambos os países possuem armas nucleares. Finalmente, após dois meses de combates, sob pressão dos EUA, militantes islâmicos pró-Paquistão deixaram as posições tomadas na parte indiana da Caxemira.
 
O recuo humilhante das forças paquistanesas gerou conflitos entre as lideranças civil e militar do país. Em outubro de 1999, militares paquistaneses depuseram o governo democraticamente eleito de Nawaz Sharif. O general Pervez Musharraf, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, suspendeu a Constituição e tornou-se o novo líder do Executivo.
 
Em junho de 2001, Musharraf dissolveu a Assembléia Nacional e as assembléias das quatro províncias; demitiu o presidente Rafiq Tarrar e assumiu o seu cargo.
 
Em setembro de 2001, os EUA pediram apoio ao governo paquistanês a fim de intervir junto ao Afeganistão para a entrega do terrorista saudita Osama bin Laden, acusado de atentados terroristas em Nova York e Washington. O Paquistão era, então, um dos poucos países a apoiar o governo da milícia Taliban.
 
O governo paquistanês esperava que, com a ajuda aos norte-americanos, o país pudesse ter parte de sua dívida externa perdoada, além de contar com a ajuda dos EUA na questão da Caxemira. No entanto, a população reagiu negativamente a essa coalizão. Na fronteira com o Afeganistão, milhares de paquistaneses manifestaram-se a favor de uma guerra santa se o país vizinho fosse atacado.
 
O governo paquistanês anunciou um acordo com os norte-americanos para combater as bases do movimento Taliban, mas garantiu que não se envolveria em ataques ao Afeganistão e ao povo afegão. Além de receber dos norte-americanos uma ajuda financeira, o país conseguiu renegociar sua dívida externa com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
 
 Em abril de 2002, Musharraf ganhou mais cinco anos de mandato por meio de um plebiscito considerado fraudulento. Em maio de 2002, as tensões entre a Índia e o Paquistão recrudesceram depois que muçulmanos separatistas atacaram um ônibus de passageiros e um acampamento militar indiano na Caxemira, matando mais de 30 pessoas. Seguiram-se atentados terroristas, além de confrontos entre militares dos dois países, com dezenas de mortos de ambos os lados. Nesse período, o governo paquistanês testou mísseis de médio alcance, demonstrando que o país estava pronto para responder a um eventual ataque indiano. EUA e Reino Unido fizeram uma ofensiva diplomática para evitar a guerra. Além da tensão externa, o Paquistão viu crescer internamente o número de atentados contra igrejas cristãs e organizações e civis estrangeiros.
 
Em agosto de 2002, o presidente concedeu mais poderes a si próprio, incluindo o direito de dissolver o Parlamento que ainda seria eleito. Em outubro, ocorreram as primeiras eleições legislativas desde o golpe de 1999, enquanto facções políticas rivais enfrentavam-se nas ruas do país. Em novembro, o civil Zafarullah Khan Jamali, do PML, partido do presidente, assumiu como primeiro-ministro após coalizão com outros partidos.
 
Em maio de 2003, o Paquistão restabeleceu as relações diplomáticas com a Índia. Em novembro, paquistaneses e indianos declararam um cessar-fogo total depois de mais de uma década de combates na região da Caxemira. Em fevereiro de 2004, os governos do Paquistão e da Índia deram início às conversações de paz.
 
Em dezembro de 2003, o presidente Musharraf escapou de duas tentativas de assassinato num intervalo de 11 dias. Em ambos os casos, ocorridos em Rawalpindi, perto de Islamabad, bombas explodiram pouco depois da passagem da comitiva presidencial. No mais grave, 13 pessoas que passavam pelo local morreram, além de dois terroristas suicidas. Em janeiro de 2004, o Parlamento aprovou mudanças na Constituição para dar legitimidade ao governo de Musharraf e ratificou o mandato do presidente, que irá governar o país até 2007.
 
Ainda em janeiro do mesmo ano, Musharraf demitiu o cientista Abdul Qadeer Khan - considerado pai do programa nuclear paquistanês - do cargo de conselheiro do governo devido a denúncias de que o cientista e outras pessoas haviam repassado tecnologia nuclear para a Líbia, a Coréia do Norte e o Irã. Em fevereiro, Khan admitiu ter cedido segredos nucleares, mas a dúvida sobre o conhecimento ou não da transferência de tecnologia por parte das autoridades do Paquistão permaneceu.
 
A partir de 2005 tornou-se evidente que o governo paquistanês não tinha mais controle algum sobre as regiões mais remotas do país, especialmente nas áreas tribais, as quais estava recebando diversos refugiados dos países vizinhos, incluindo extreimistas do Talibã e Al Quaeda. Esses mesmos grupos, em 2007 passaram a ter desentendimentos com o governo do país e iniciaram diversos atentados suicidas.
 
Em setembro de 2007, Nawaz Sharif recebeu a autorização do judiciário paquistanês para retornar ao país depois de anos de exílio. Ao aterrissar no país os militares fizeram com que ele subissem novamente na aerovane e retornasse a Dubai, sua atual residência. Em outubro de 2007 Benazir Bhutto também retornou ao país, se opondo ao governo de Musharraf. Numa de suas manifestações, realizada em Karachi, um atentado bomba – o maior da história do país – matou cerca de 140 pessoas e feriu mais de 500.
 
Em novembro Musharraf decrata Estado de Emergência no país, dissolvendo todo o judiciário, sob a alegação de combater grupos terroristas infiltrados no país. Com essa medida ele ganhou ainda mais poder sobre o país. Para evitar oposição ao seu governo tido por muitos como ditatorial, Musharraf convocou eleições democráticas para fevereiro de 2008.
 
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