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Segunda-feira (8 de outubro de 2007)
Nova Delhi
 
A primeira coisa que fiz pela manhã foi ir para a embaixada do Paquistão, que estava a apenas um bloco da minha hospedagem. Alí descobri que eu teria que teria que preencher dois formulários com as perguntas mais absurdas, anexar 2 fotos, pagar algo como 60 Reais e, o pior, anexar uma autorização da embaixada brasileira, que teria que permitir minha ida ao país.
 
Da embaixada do Paquistão eu já segui para a embaixada do Brasil, que ficava um pouco longe. Quando cheguei alí, logo fui atendido por uma brasileira que falou em português comigo e disse que não havia problema, eu apenas tinha que pagar 750 Rúpias (quase 40 Reais) num banco e voltar pela tarde para retirar a carta.
 
Na embaixada brasileira não tive nenhum problema e como teria que esperar algumas horas até escreverem 5 linhas e assinarem uma folha de papel, eu resolvi pedalar um pouco mais e visitar a embaixada do Irã, para descobrir como seria o processo de visto. Tudo parecia difícil nessa embaixada, de entrar até falar com a pessoa responsável.
 
O pior de tudo foi descobrir o processo para obter o visto. Na embaixada eles só emitem, via de regra, vistos de trânsito, isto é, vistos válidos por apenas 7 dias. No entanto, com apenas 7 dias eu não atravessaria o país nem de ônibus, muito menos de bicicleta. Teria que conseguir um visto maior, aí surgia o problema. Teria que entrar em contato (telefone ou e-mail) com uma agência de turismo do Irã, localizada na capital Tehran, que iria entrar em contato com o Ministério das Relações Exteriores do Irã, que por sua vez irá emitir uma autorização para que eu retire um visto de 30 dias na embaixada iraniana em Delhi.
 
Tudo muito fácil.
 
Como eu não tinha a menor idéia de como faria isso o sujeito da embaixada me deu uma folha de papel com o endereço de uma agência do Irã. Tinha que iniciar esse processo o mais rápido possível. Almocei rapidamente e logo voltei para a embaixada brasileira, onde o ritmo brasileiro tomava conta: almoço de 2 horas e tudo sem pressa, mas pelo menos as pessoas eram simpáticas, o que não ocorre na Índia. Esperei um pouco, enquanto tomava um cafézinho e comia um pedaço de marmelada que uma funcionária me deu.
 
Logo estava com a carta em mão e com tudo pronto para pedir o visto do Paqusitão. Voltei para a hospedagem e logo enviei diversos e-mails para agências do Irã e fiz algumas pesquisas de nomes e endereços de hotéis no Paquistão, pois tinha que escrever isso no formulário, entre outras informações curiosas.
 
A correria de hoje fez com que eu terminasse o dia cansado, mas feliz por saber que tudo parecia estar correndo bem.
 
Terça-feira (9 de outubro de 2007)
Nova Delhi
 
Fui o primeiro da fila na embaixada do Paquistão. O primeiro porque era a fila para estrangeiros, porque mna fila “normal” devia haver mais de 100 pessoas entre numa situação não muito confortável. Parecia até mesmo uma fila de refugiados. Isso já dava uma prévia do que eu encontraria no país. De qualquer forma, dei entrada como pedido do visto, que ficaria pronto dalí 2 dias apenas, o que era melhor do que eu esperava.
 
Já na hospedagem eu percebi que na Índia eu não encontraria um sequer mapa do Paquistão, muito menos um bom mapa do Paquistão. Teria que comprá-lo pela internet e já que teria que fazer isso, seria melhor já comprar também os mapas do Irã e Turquia, assim já eliminaria dores de cabeça futuras. Fiz a compra pela Amazon.com e tudo pareceu correr bem com os mapas que chegariam aqui ainda esta semana.
 
A agência irianiana me respondeu, dizendo que poderia dar entrada no meu pedido, mas custaria 30 Euros! Como não tinha opção dei o sinal verde para eles, que pediram para eu prencher um formulário e enviar a cópia do meu passporte. Fiz tudo isso e logo surgiu outro problema, não tinha como pagá-los. O Irã sofre um embargo de algumas nações, incluíndo (é claro) os EUA, o que significa: eles não contam com sistema bancário internacional, isto é, nada de Visa ou MarterCard nem caixas eletrônicos.
 
Essa agência ainda tinha uma conta bancária européia, mas não mundial, o que dificultaria o processo de pagamento, já que eu não tenho uma conta européia. Mesmo assim dei a autorização para eles iniciarem o processo do visto e tratei o pagamento como apenas um detalhe.
 
Como não tinha mais nada o que fazer nesse caso a não ser esperar, fui para a parte da cidade onde existe diversas lojas de informática e afins, pois meu computador estava com um problema – o wi-fi dele não estava mais funcionando – e queria consertá-lo, pois onde eu estava havia wi-fi gratuito, mas eu não podia usar devido a esse problema.
 
Nesse mercado-negro de computadores eu descobri que ninguém queria abrir meu computador e com medo de piorar ainda mais a situação. Assim, contornei o problema comprando um aparelho externo de wi-fi. Problema resolvido, porém o eu havia chegado a esse lugar de táxi e o taxista queria me levar para algumas lojas agora. Eu não estava disposto para ir para lojas, mas acabei fazendo uma acordo com o taxista que ganhava uma boa comissão por cada loja que eu fosse apenas olhar. Ele ganhou algumas rúpias e eu uma viagem de mais de 30 quilômetros de graça.
 
O problema disso é que você tem que ser um ator na loja e estar disposto a perder um tempo razoável em cada uma delas. Depois de algumas lojas e de ficar assustado com o preço dos produtos eu voltei para a hospedagem, curioso para ver se havia chegado algum e-mail para mim. Tinha dezenas de coisas para resolver e queria fazê-las da forma mais rápida possível para deixar o páis assim que possível.
 
Quarta-feira (10 de outrubro de 2007)
Nova Delhi
 
Pela manhã eu resolvi ir até um dos melhores hospitais de Delhi para tomar a 2ª dose da minha vacina de hepatite A, já que a 1ª eu havia tomado a 6 meses atrás em Cingapura. Sabia que esse processo não seria fácil. Liguei para os hospitais e descobri que o valor da vicina era sempre o mesmo, assim como a marca delas. Resolvi ir então no melhor hospital, um dos poucos que têm padrões internacionais do país.
 
Como nada poderia ser muito simples aqui, logo descobri que teria que fazer uma consulta com um médico antes de tomar a vacina. Eu tinha até a prescrição do médico de Cingapura, mas indiano é indiano e eu não consegu convencê-los. Paguei a consulta, o médico fez exatamente o que eu queria e depois paguei a vacina. Pronto, apenas uma manhã toda para tomar a vacina, mas pelo menos estava imune a mais esta doença.
 
Ao voltar para a hospedagem, já havia descoberto que eu não encontraria não só os mapas que eu precisava na Índia, mas também não encontraria as peças da bicicleta que eu necessitava trocar, como o meu movimento central e as sapatas de freio, além de câmara de ar reserva, o que nem isso há por aqui. Isso era simples de conseguir, o pior mesmo seria como conseguir um novo bagageiro dianteiro (a peça mais difícil de se encontrar) para a bicicleta. Sabia de uma empresa americana que fabricava bagageiros traseiros e dianteiros bastante fortes e resolvi encluir essa peça no meu pedido para a Fuji, que sempre me ajuda nessas horas.
 
A Fuji concordou em enviar as peças com exceção do bagageiro dianteiro. E tive que pensar no que fazer neste momento, quando até aqueles que você conta com a ajuda não te ajudam. Resolvi então comprar a peça pela internet, mesmo sabendo que somente o envio sairia por um valor razoável, mas sabendo também que eu não tinha muitas escolhas, especialmente indo para países sem bicicletarias e com longos trechos de deserto entre uma cidade e outra, onde ter um bagageiro quebrado poderia ser uma enorme dor de cabeça.
 
Fiz  então o pedido pela internet e continuei pesquisando informações sobre os meus próximos países e sobre a Índia também e sobre coisas que eu precisava fazer, como enviar uma pacote para o Brasil, porém não pelos correios indianos, que já perderam a carta de um quilo que eu enviei de Calcutá com diversos objetos de Mianmar.
 
Separei tudo o que queria enviar para o Brasil e percebi que tinha que ajustar alguns detalhes na bicicleta, mas isso teria que ser feito amanhã.
 
Quinta-feira (11 de outubro de 2007)
Nova Delhi
 
Comecei o dia indo à embaixada do Paquistão para buscar meu visto. Lá estava, 30 dias como turista, tempo que eu precisava para atravessar o país e chegar ao Irã. Estava feliz, pois já havia completado uma das minhas missões em Delhi e isso me dava energia para continuar.
 
Tirei então o dia para arrumar a bicicleta e comprar novos pneus para ela. Fui para o famoso mercado de bicicletas no centro da cidade, um local onde há apenas bicicletas e bicicletarias. Mas ao chegar ao local, sem nenhuma surpresa, descobri que não havia nehuma bicicleta importada alí, assim como nenhuma peça para bicicleta importada por alí também, nem mesmo um pneu compatível com a minha bicicleta.
 
Consegui fazer alguns ajustes na bicicleta alí, como alinhar as rodas e trocar alguns raios quebrados pelas estradas indianas. Quando já estava saindo resolvi voltar para comprar uma ferramenta que iria precisar para trocar o movimento central. Encontrei-a e encontrei também o embaixador da Alemanha que estava alí para comprar uma bicicleta para seu filho que vinha para a Índia em breve. Depois de uma longa conversa descobrimos que numa outra região da cidade poderiamos encontrar bicicletas que chamamos de bicicleta.
 
Depois disso ele foi para um lado e eu para outro, justamente para onde estavam as 2 bicicletarias de verdade da cidade. Cerca de 15 quilômetros depois eu estava lá, numa área com boas lojas. Uma bicicletaria vendia bicicletas importadas, mas apenas bicicletas e tinha apenas alguns pares de pneus grossos (26 x 2.1), que não era bem o que eu queria, já que pedalo mais sobre o asfalto e não pegarei chuva pelos próximos meses e para isso pneus finos são perfeitos.
 
Consegui encomendar um par de pneus da marca Continental (que são fabricados na Índia, porém voltados exclusivamente para a exportação) para a semana que vem, mas apenas isso. Apenas isso, ou seja, teria que voltar ainda para a região para buscar os pneus na semana que vem. Quando voltei para a hospedagem abri meus e-mails e vi uma mensagem da agencia iraniana, dizendo que estava tudo bem, que eles ia achar uma solução para o pagamento e que devido ao feriado de 3 dias (fim do Ramadã) eles apenas entregariam o número de autorização na quarta-feira da semana que vem.
 
Não podia lutar contra isso. Aceitei e comecei a me planejar melhor para ficar mais tempo na cidade.
 
Sexta-feira (12 de outubro de 2007)
Nova Delhi
 
Havia encontrado um local que realizava assistência espacializada na marca do meu computador e resolvi ir até lá para ver o que eles poderiam fazer. Depois de uma boa pedalada e muitas perguntas para encontrar o lugar, eu descobrir que para consertar minha máquina eu teria que ficar sem computador pelo menos 2 dias e dependendo do que fosse, uma semana.
 
Como não poderia ficar tanto tempo sem o computador neste atual momento e também não queria deixar todos meus arquivos e fotos na mão de gente que eu não conheço eu resolvi não arrumá-lo, mesmo porque com a peça que eu havia comprado eu estava conseguindo me conectar à internet sem problemas.
 
No caminho de volta eu passei por alguns lugares turísticos, mas deixei para visitá-los amanhã já que não estava com a minha câmera hoje. Ao voltar para a hospedagem eu voltei para a frente do computador para fazer conseguir mais informações sobre o que eu precisava fazer nos próximos dias e sobre as minhas encomendas, que poderiam chegar a qualquer momento.
 
Ao final do dia, meus mapas chegaram pelo correio. Mais uma tarefa concluída, mas eu ainda tinha muitos assuntos para resolver.
 
Sábado (13 de outubro de 2007)
Nova Delhi
 
Hoje foi um dia que eu tirei basicamente para ver algumas atrações turísticas da cidade. Comecei pelo o que estava mais próximo, uma enorme escultura de Gandhi em sua marcha, imagem que habita não só o sub-consciente de quase todos os indianos, mas também está em todo o lugar, incluindo em todas as cédulas de dinheiro. Dalí eu pedalei até o a região onde estão todos os prédios governamentais.
 
Apesar de belos edifícios a aproximação não é possível. Então segui para o India Gate, um arco de pedra com 42 metros de altura, levantado em homenagem aos 90 mil soldados que morreram na 1ª Guerra Mundial e em conflitos da época. Dalí fui resolver alguns assuntos no centro comercial da cidade, Connaught Place, e somente depois retomei meu tour pela cidade.
 
Segui então para a parte mais antiga da cidade, conhecida como Old Delhi. No caminho eu já percebia que não seria fácil. Poucos quilômetros depois eu já havia voltado por completo à velha e boa Índia, com cabras e vacas entre carros que buzinam sem parar, milhares de rickshaws travando o trânsito, gente defecando nas calçadas e montanhas de lixo já em estado de putrefação ao lado das ruas.
 
Já esperava isso. O que eu não esperava é que eu não encontraria um lugar para parar minha bicicleta ao chegar no Red Fort. O lugar era altamente tumultuado e simplesmente fora do controle, pois os indianos em locais como esse cospem no seu pé e te empurram e nem desculpa pedem. Havia apenas um pequeno estacionamento para bicicletas e motos, mas não me deixaram parar alí, explicando que era apenas para policiais. Tentei conversar, mas não teve jeito, não pude parar.
 
Olhei para os lados e já havia alguns indianos olhando para a bicicleta, não para roubar (eles não roubam), mas para tocar e ficar apertando os freios e trocando as marchas como crianças curiosas. Teria que trancar a bicicleta no lado de fora, mas se fizesse isso, já sabia que iria encontrar alguém em cima dela quando eu voltasse. O forte podia ser visto de fora e eu então saquei algumas fotos e depois fui embora da região que não tinha nada de convidativa.
 
No caminho de volta, um inseto creio que um tipo de vespa ou coisa do gênero entrou no meu olho e deu uma picada. A dor foi forte e eu fui obrigado a parar, pois mal conseguia abrir a vista esquerda. Com o tempo ele melhorou eu eu segui viagem, passando na frente do India Gate exatamente nos últimos minutos de sol, qiuando o céu estava laranja – graças a pesada poluição da cidade – e a paisagem criava um espetáculo a parte.
 
Dalí voltei para a hospedagem, da onde eu teria que sair por pelo menso 1 dia, já que há um limite de dias para se ficar hospedado no local, eu estava no limite e agora teria que sair para voltar a manhã. Deixei reservado amanhã e os dias seguintes e apenas com uma mochila eu fui para uma outra hospedagem, perto dalí. Eles disseram que estava lotados, o que eles adoram dizer aqui na Índia, mesmo quando não estão cheios.
 
Não tinha opção, se quisesse um lugar para dormir teria que seguir mais uma vez para a região turísitica de Pahar Ganj, onde eu não queria ir. Aproveitei-me então das lacunas de serviço da hospedagem onde eu estava. Fui ficando. Ninguém disse nada. Os recepcionistas mudaram e já me tratavam como hóspede. Pronto, poderia dormir alí mais uma noite e renovar meus dias de hospedagem. As vezes é necessário entrar no jogo dos indianos, infelizmente.
 
Domingo (14 de outubro de 2007)
Nova Delhi
 
Sabia que não poderia ficar zanzando muito pela hospedagem, assim tomei meu café da manhã e saí para a cidade para ver o resto das atrações que eu não havia visto. Desta vez estava com preguiça de ir de bicicleta e tomei um auto-rickshaw, negociando a viagem com uma parada numa loja onde ele ganharia a comissão dele. Segui então para a Tumba de Hamayun, o segundo imperador muçulmano da dinastia Mughal na Índia. Essa construção, do século XVI, é uma dos primeiro exemplos da arquitetura persa na Índia, carregando as mesmas linhas do famoso Taj Mahal, cujo desenho se baseou nas linhas da Tumba de Hamayun.
 
Apesar da beleza do local e de sua grandiosidade, 1 hora era suficiente para se apreciar esse grande túmulo e as construções vizinhas. Dalí eu segui então para o Lotus Temple, um templo em formato de lótus, feito em mármore branco. Apesar da religião desse templo pregar a paz e o silêncio, voltados para a meditação, naquele momento isso era o que não havia no local. Milhares de pessoas formavam uma gigantesca fila para entrar na área e, em seguida, no templo.
 
Mesmo assim valeu a pena a visita. Com isso eu havia concluido meus pontos de interesse na cidade e agora poderia voltar para a hospedagem, já como um hóspede, e resolver outras coisas. Com o quarto vazio eu passei o resto do dia apenas escrevendo e organizando os meus arquivos no computador, com a esperanças de acelerar todos os processos na cidade e poder sair daqui em poucos dias, o que mesmo depois de uma semana em Delhi, continuava sendo um desafio para mim.

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