[English Version]
Pedal na Estrada Roteiro
Itinerary
Equipe
Team
Diário de Estrada
Travel Notes
Galeria de Fotos
Photo Galery
Parceiros
Partners
Fórum
Forum
Imprensa
Press
Contato
Contact
Segunda-feira (18 de setembro de 2006)
Auckland – Wellsford (66 km)
 
Enfim chegou o dia de sair de Auckland. Já era hora, caso contrário eu já criaria raízes nesta cidade e em pouco tempo já estaria trabalhando como a maioria dos brasileiros que aqui vivem. Precisava voltar a pedalar com urgência, pois foram praticamente 2 semanas sem uma pedalada forte. Desde que cheguei em Lima encostei a bicicleta e realizei apenas pedaladas insignificantes. Agora é hora de voltar ao normal.
 
Arrumei minhas coisas, tomei meu café da manhã, conversei pela última vez com as pessoas que nunca saem da cozinha, olhei pela última vez para o argentino que sempre está sentado sozinho na mesma mesa da cozinha, liguei para casa, olhei o meu mapa, defini onde eu queria chegar hoje, perguntei como eu faria para chegar lá e, por fim, coloquei a bike na rua, antes que fosse tarde demais.
 
O meu destino era Wellsford, a primeira cidade rumo ao norte do país, berço da nação, região que acolheu os primeiros maoris e europeus quando chegaram neste “novo mundo”.  A minha parada de hoje é uma pequena cidade cituada à pouco mais de 80 quilômetros de Auckland. O meu caminho era a Rodovia nº 1. O meu problema era como eu chegaria lá. Entre eu e a estrada havia uma ponte e segundo a lenda eu não poderia pedalar por lá, como eu não sabia outro caminho, resolvi ir por lá mesmo.
 
Quando eu já estava para entrar na ponte, que tinha o formato de arco e me obrigaria a subir até sua metade, para só então descer, eu me dei conta do perigo eminente de pedalar sobre ela. A ponte não tinha acostamento e estava repleta de veículo em alta velocidade, o perigo era evidente, no entanto já era tarde demais e eu não tinha como voltar.
 
Voltar não foi preciso, pois antes mesmo de chegar à ponte eu já havia sido parado por um sujeito que se indentificou como policial. Ele fez exatamente como nos filmes americanos, mostrou seu distintivo de policial e só depois começou a falar. Entre as coisas que ele me falou estava a informação de que eu teria que pagar Nz$ 250,00 se eu fosse por alí e que ele estava chamando reforços que iam se encarregar de mim, pois hoje era o seu dia de folga.
 
Em menos de 5 minutos já haviam chegado ao local uma moto e um carro de polícia. O policial da moto pegou meus dados e o policial do carro me informou que eu seria levado para o outro lado da ponte, até um ponto onde eu podesse começar a pedalar. Eu que achava que havia entrado numa fria, me surpreendi, pois os policiais só vieram me ajudar. Desmontei a bicicleta, coloquei no banco de trás do carro de polícia e partimos na direção norte.
 
O policial era simpático e houvia música clássica enquanto dirigia o seu potente carro. Conversamos um pouco e estudamos o mapa para saber onde ele poderia me deixar para que eu pudesse dar início à minha pedalada. Ele decidiu me deixar numa cidade à 20 quilômetros de Auckland, chamada Silverdale. Dalí para frente eu estaria livre para seguir em frente.
 
Chegamos numa espácie de trevo e descarregamos toda a minha bagagem do carro. Ele ainda se deu ao trabalho de me explicar minuciosamente o caminho que eu deveria seguir para eu não me perder. Segui suas indicações e fui pelo caminho indicado. Foi o primeiro contato com as verdadeiras estradas neozelandesas e já pude notar que eu deveria tomar alguns cuidados ao pedalar nestas vias quase sempre sem acostamento e com motoristas que pisam fundo.
 
Senti meu corpo diferente logo nos primeiros quilômetros. Quase um corpo sedentário, cansado e sem muita energia para pedalar. Precisava doutriná-lo novamente e a melhor solução seria apenas pedalar. A estrada também não facilitava, a estrada para o norte é repleta de altos e baixos, geralmente pequenos, mas suficientemente ingremes para me fazer lembrar que levo 50 quilos comigo.
 
Quando essas subidas se somam ao vento, que por sua natureza sempre está contra mim, o caminho fica um pouco difícil. Difícil, mas nunca impossível. Segui em frente para chegar até uma pequena cidade, menor do que eu imaginava, chamada Wellsford. Alí perguntei onde eu poderia encontrar um lugar para ficar e me indicaram um motel. Vale levar lembrar que o termo Motel aqui é diferente do usado no Brasil, aqui é apenas um tipo de hotel para se passar pouco tempo, como uma ou duas noites.
 
Quando cheguei no local fui bem antendido e perguntei pelo preço. A resposta foi ótima eight dólares. Era perfeito! Percebi como fora de Auckland tudo era mais barato. Resolvi pagar com uma nota de 20 que eu tinha. O dono do hotel parou e ficou me olhando. Eu perguntei se estava tudo bem e ele me disse que eram eighty e não eight, ou seja 80 e não apenas 8, como meu inocente ouvido escutara.
 
Saí correndo de lá. Fui para outro lugar, que haviam dito que era mais barato. Ao perguntar o preço dei conta de que não era tão barato, custava ainda 30 dólares neozelandeses. Ainda era muito para mim. Sem saber o que fazer fui para a porta do super-mercado da cidade e comecei a pedir um lugar para ficar para as pessoas que passavam por alí. Nada. Ninguém me ajudou, mas todos deram ótimas desculpas, assim conseguiam ir embora com a cosnciência limpa.
 
Resolvi ir para a delegacia da cidade. O policial foi amigo e disse que eu poderia ficar por alí uma noite, tomar banho e guardar minha bike na garagem da delegacia. O único detalhe era que eu teria que esperar o próximo policial chegar, pois este, com tinha conversado, já estava indo embora. Quando o outro policial chegou tive uma surpresa, disse-me o oposto que seu parceiro havia me dito. Agora eu não podia ficar mais alí, na verdade nem deveria estar alí.
 
Resolvi voltar para as ruas da cidade e pensar um pouco mais. Já era noite e fazia frio. Cheguei à conclusão de que minha saída seria acampar em algum canto, mas no momento que tomei essa decisão um carro parou na minha frente. Era um sujeito com quem eu havia conversado horas nates. Estava dizendo que havia ficado com peso na consciência e agora estava vindo para me ajudar.
 
Ele me explicou algumas coisas e disse que eu teria que deixar a bicicleta na oficina do seu pai, pois sua casa era bem longe da cidade e só daria para chegar de carro em meio àquela escuridão. Assim, levei a bicicleta até a oficina e a deixei por lá, enquanto eu levava os alforjes junto comigo.
 
A casa do cara era longe de verdade e parecia que havia passado um furacão por alí. Caixa de computador no meio da sala uma gaiola com 2 enormes ratos, 1 cachorro, 2 gatos, 1 periquito, roupas jogadas pelo chão, comida de mais de uma semana na cozinha e um sofá para eu dormir. Tomei um banho e caí no sofá, em menos de 5 minutos já estava dormindo.
 
Terça-feira (19 de setembro de 2006)
Wellsford – Whangarei (81 km)
 
Havia apenas um detalhes em dormir lá: teria que acordar junto com o James, às 5:30 da manhã, pois ele trabalhava em Auckland, pintando barcos e todos os dias tinha que acordar nesta hora para ir trabalhar. Acordamos e em questão de minutos eu já havia levado tudo para o seu carro para que ele me levasse até a oficina de seu pai para que eu pegasse a minha bike.
 
Já com a bike na rua eu me despedi dele e vi o Sol nascer entre todas às montanhas da região. Me sentia bem e agora tinha um bom tempo para pedalar e chegar cedo, onde quer que eu fosse. Fui para o pequeno mercado da cidade, comprei meu café da manhã, troquei de roupa na rua, como um mendigo, me alonguei e vi o dia da gente da cidade começar na minha frente.
 
A pedalada começou. Chuviscava um pouco e ventava por todas as colinas que me separavam de Whangarei. Em pouco tempo a chuva parou e eu continuei pedalando, trocando de marchas mais do que nunca, para encarar o infinito sobe e desce das estradas do norte do país. Cheguei até o desafio do dia um longa subida que me levou até o pico de um montanha, da onde eu podia ter uma visão de toda a região, sua floresta, sua baía, o mar e suas ilhas.
 
Agora era a vez de descer. A pedalada continou, mas desta vez senti uma fraqueza, como se não tivesse mais energia para pedalar. Achei estranho, pois isso não acontecia comigo nem quando eu pedalava 150 quilômetros, por que estava aocntecendo agora? Desci da bicicleta, sentei um pouco, comi alguns coisas que eu tinha comigo, esperei um pouco e resolvi seguir me frente.
 
Quando voltei a pedalar pela estrada optei por um ritmo mais moderado e constante até que eu me sentisse forte de novo. Pedalava em paz até que de repente senti um forte impacto em minhas costas, como um golpe, ainda de origem desconhecida. Olhei para trás e vi um tubo de protetor solar caído no chão e alguém gritando dentro de um carro que passava em alta velocidade. Haviam jogado em mim um tubo de protetor solar. Por sorte não me feriu, mas fez com que eu ficasse pensando naquilo por um bom tempo. Aquele golpe havia aberto uma ferida mais profunda, que me fez pensar em muitas coisas.
 
Continuei imerso em diversos pensamentos até chegar em Whangarei, sem entender porque alguém faria aquilo, pouco depois da hora do almoço. Agora eu tinha um pequeno guia com muitos endereços de hospedagens na região, que me mostrou onde eu encontraria um backpackers, talvez o único da cidade.
 
Averiguei o que havia para se fazer na região e acabei descobrindo diversas coisas. Achei melhor ficar um dia a mais na cidade para conseguir visitar os lugares que eu queria.
 
Quarta-feira (20 de setembro de 2006)
Whangarei
 
Ontem eu desmaiei na cama e só consegui acordar hoje, revigorado, pronto para pedalar um pouco mais para os lugares onde eu queria. O primeiro lugar era a cachoeira, situada à poucos quilômetros do centro da cidade. Apenas alguns minutos de pedalada foram necessários para que eu chegasse à morada da queda d`água mais fotografada da Nova Zelândia.
 
Whangarei Falls e o nome dessa bela cachoeira, semelhante às muitas que existem em todo o território brasileiro. Mais interessante que a cachoeira é toda estrutura que se criou para apreciar esta queda d`água. Pontes, passarelas, escadas e mais algumas coisas para deixar o homem chegar mais perto da natureza.
 
Depois dalí eu segui para um local chamado Kiwi House, como o próprio nome já diz, um lugar que é a morada de alguns kiwis, este pequeno pássaro que existe apenas na Nova Zelândia. Um animal curioso, pois é dotado de um longo bico e de um corpo ovalado, ao mesmo tempo que não tem asas, nem rabo. Praricamente um ovo com 2 patas e 1 bico.
 
Esse pequeno animal, de costumes noturnos e já quase em extinção, é um dos maiores símbolos do país, tendo sua imagem por toda parte, além de emprestar seu nome para denominar os neozelandeses, que são comumentes chamados de kiwis. O animal é adorado no país, no entanto, atualmente, ver um kiwi selvagem não é fácil, pois após a chegada do homem branco nestas terras a população de kiwis passou dos milhões para apenas 70 mil de hoje em dia.
 
Um dos principais motivos para a redução tão drástica do número deste animal foi sua matança indiscriminada, para servir como alimento e por ser um alvo fácil e sem defesas para os animais que o homem trouxe para cá, como cachorros, raposas e outros animais que têm o kiwi como um dos pratos predilétos de seu cardápio.
 
Na “Casa do Kiwi” e alí pude ver de perto alguns exemplares do diferente animal. É impossível não se estranhar com as características do animal, que tem 1/3 de seu peso concentrado em suas fortes patas e usa seu longo bico para comer alguns pequenos insetos que vivem debaixo da terra. Sua aparência reflete um pouco de sua simpatia, a última esperança para a sua preservação.
 
Mesmo sem ter feito muita coisa o dia passou muito rápido e quando eu vi já era noite, hora de me preparar para partir amanhã.
 
Quinta-feira (21 de setembro de 2006)
Whangarei – Paihia (70 km)
 
Ao escolher o destino de hoje eu fiquei dividido entre a turística cidade de Paihia e a embrasileirada Kerikeri. Acabei optando pela primeira localidade, Paihia. Pareceu-me ser a melhor a opção, principalmente por estar de frente para uma das mais belas localidades da região norte do país, chamada Bay of Islands, uma região que conta com 144 pequenas ilhas pulverizadas em sua pitoresca costa.
 
Comecei a pedalada com toda a calma do mundo, pois agora tinha muito tempo para percorrer apenas 70 quilômetros até meu novo destino. O caminho começou bem, sem muitas montanhas e com o meu copro já mais bem preparado para pedalar forte. Consegui desenvolver uma boa velocidade média e cheguei antes do que eu previa numa cidade chamada Kawakawa.
 
Até essa cidade foi relativamente fácil, no entanto, ao trocar de estrada para chegar até Paihia o caminho mudou, o relevo acentuou e as subidas passaram a exigir que eu muitas vezes descesse da bicicleta para empurrá-la montanha acima. Foram 17 quilômetros nesse ritmo, usando os freios nas fortes descidas recheadas de curvas e muitas vezes tendo que empurrar a bicicleta nas subidas.
 
Enfim, cheguei na última descida que me levaria até a turística cidade Paihia. Comecei a procurar um lugar para ficar e encontrei muitos, em apenas uma rua da cidade haviam mais de 5 backpackers. Acabei ficam no que me pareceu mais barato e mais confortável também. Apesar de dividir o quarto com um alemão que tinha cara de serial killer, eu fiquei bem instalado.
 
Mais uma vez optei por ficar 2 dias, para que eu pudesse conhecer tudo o que eu queria, especilamente para poder conhecer a famosa Bay of Islands. Fui atrás dos passeios e de seus preços e fiquei muito assustado com o que eu encontrei. Um passeio de barco, que te leva até uma rocha que tem um buraco no meio, exatamente como aquelas que eu havia visto no Peru, semanas antes, não sai por menos de Nz$ 70,00 aqui. Comecei a mudar de idéia e optar por um roteiro mais alternativo, mesmo porque as pessoas que fizeram tal passeio não gostaram muito.
 
Resolvi deixar a escolha para amanhã. Só queria dormir hoje.
 
Sexta-feira (22 de setembro de 2006)
Paihia
 
Acordei cedo após muitas horas de sono e logo após o café da manhã eu resolvi fazer algumas coisas pendentes antes de qualquer coisa, como enviar alguns e-mails para o Brasil e atualizar o meu site. Comecei revisando alguns textos, escrevendo outros e escolhendo algumas fotos para colocar no site.
 
Após feito isso, fui procurar uma conexão de internet. Encontrei apenas uma e me conecetei nessa mesmo. Três horas depois eu estava terminando o que eu havia começado, agora estava com tudo pronto para partir. Quando levantei da cadeira a dona do cyber café trouxe a minha conta, 30 dólares! Achei que estava errado e perguntei sobre o preço e ela apenas confirmou, completando com a informação de que cada hora custava 9 dólares!
 
Estava sendo roubado e para piorar tinha só 20 dólares na minha carteira. Agora tinha que negociar, tarefa que aqui é quase impossível de se fazer. A negociação não adiantou muito e a mulher queria porque queria os 10 dólares que faltavam. Não tinha como, ela já estava quase ficando com a minha cueca. No final das contas eu encontrei 5 dólares americanos na minha carteira e dei para ela. Ela aceitou e eu fui embora, me sentindo roubado e indignado por ter pago aquela quantia.
 
De toda a forma, aprendi que daqui para frente seria bom começar a perguntar antes de fazer qualquer coisa. Na verdade eu já havia aprendido isso faz tempo, mas não sei porque eu simplesmente não perguntei desta vez. Acho que eu nunca imaginaria que poderia ser 9 dólares a hora de internet em algum lugar do mundo, mas o mundo sempre está cheio de surpresas.
 
Ao sair de lá eu fui comer alguma coisa e depois fui caminhar na praia para esquecer um pouco o fato. Quando o pôr-do-Sol se aproximava eu resolvi subir até um dos ponto altos da cidade para apreciar o fim da tarde, alí estava uma garota, escrevendo alguns postais. Fiquei quieto por um tempo e depois começamos a conversar, eu contei logo do meu roubo, mesmo porque ainda estava indignado com o fato e seguimos conversando durante algumas horas até ficar noite. Descobri que ela estava no mesmo hotel que eu e fomos juntos para lá. Eu caminhava mais aliviado, parecia que eu precisava falar do que havia acontecido para alguém. Tomei um banho e com mais algumas pessoas da hospedagem fomos comer alguma coisa na cidade mais cara que eu já havia estado.
 
Após o jantar eu resolvi ir até a praia e ver as estrelas, ficar lá, tranqüilo apenas. Ela foi comigo e ficamos alí vendo as estrelas e conversando, sem mesmo saber o nome um do outro, só sabendo que depois daquela noite nunca mais nos veriamos de novo. A vida se encarregaria de levar cada um para o seu lado, deixando apenas recordações na memória de cada um.
 
Sábado (23 de setembro de 2006)
Paihia – Kaitaia (102 km)
 
Sem querer acordei e vi que já eram 8 horas da manhã. Ainda não sabia se ficaria ou se partiria. Achei melhor partir, ainda era cedo e eu conseguiria chegar longe ainda hoje. Corri com o que eu devia fazia, fechei as malas, me despedi de algumas pessoas e voltei para a estrada.
 
Foi assim que eu iniciei o caminho mais difícil que eu já percorri na Nova Zelândia. Altos e baixos, mais altos que baixos e um forte vento contra, fizeram do caminho um constante desafio para mim. Num momento eu encontrei 2 ciclistas suíças que já estavam pedalando há 17 meses, começando pela Suíça e tendo a próxima escala na América do Sul.
 
Conversamos por um bom tempo e depois seguimos direções contrárias, eu para o extremo norte, ela para o sul. Ao me despedir das mulheres suíças, pouco a frente me deparei com um pássaro parado na estrada, como os muitos que eu encontro mortos pelo chão. Porém este não estava morto, estava somente ferido. Resolvi ajudá-lo, parei a bicicleta, peguei ele com minhas mãos e o levei para um lugar seguro, ou pelo menos, mais seguro que o meio da estrada. Não tinha mais o que fazer, a não ser desejar sorte para o pobre pássaro, que sem voar já tinha seus minutos contados.
 
Deixei o pássaro num enorme gramado e segui em frente, sabendo que havia ajudado, mas mesmo assim, não iria mudar muita coisa. Para minha suspresa, enquanto ainda pensava naquele pobre pássaro senti um golpe em meu capacete, olhei para trás e vi um enorme pássaro voar sobre minha cabeça.
 
O pássaro era branco e negro e após o primeiro ataque, voôu para cima e voltou para me atacar mais uma vez, no mesmo lugar, em meu capacete. Tentei espantar o pássaro para longe, mas mesmo assim ele não se intimidava e continuava investindo contra mim. Continuei a pedalar na tentativa de deixar o hitchcockiano pássaro para trás. Olhei e vi que ele havia parado agora eu seguia sozinho de novo.
 
Mesmo 200 metros à frente, já achando que havia me livrado do violento animal, senti novamente um goltpe em minha cabeça. Ele de novo. Ele queria briga mesmo, mas agora eu já estava preparado para pegá-lo de jeito caso ele voltasse, mas desta vez ele apenas parou e ficou num poste obeservando eu ir embora. Fiquei pensando no porque ele estava fazendo aquilo e a liberdade da estrada me fez pensar nas seguintes hipóteses:
 
  1. Ele é muito territorialista e estava portegendo o seu ninho;
  2. Ele era amigo do pássaro que eu ajudei, mas confundiu tudo e acho que eu havia machucado seu amigo, por isso veio para um acerto de contas;
  3. Ele odeia ciclistas brasileiros;
  4. Eu estou tão magro que ele me confundiu com uma minhoca e veio me pegar;
  5. Ele simplesmente não tinha o que fazer e resolver atacar a primeira coisa que viu pela frente.
 
São muitas as possibilidades e o ataque continua sendo um mistério. Mesmo assim eu continuei pedalando, agora já suspeitando de todos os pássaros que eu via pela estrada, até mesmo dos mais pequenos.
 
Eu ainda não sabia, mas havia escolhido o pior caminho para chegar em Kaitaia. Pelo mapa era o mais curto, mas eu não sabia que era o mais montanhoso também. Chegou um momento em que eu já estava cansado e foi exatamente nessa hora que eu tive que encarar a pior subida de todas. Foram mais de 5 quilômetros somente subindo, numa pista sem acostamento e repleta de perigosas curvas.
 
Chegar ao topo daquela montanha foi uma vitória, premiada com a descida que veio depois, que a esta altura já nem me animava tanto, pois o que eu mais queria era apenas chegar na cidade que eu havia planejado. Já havia pedalado 90 quilômetros e ainda não havia chegado a lugar nenhum. Vi uma placa e me faltava apenas 12 quilômetros até a cidade.
 
Achei que iria encontrar uma cidade grande, mas encontrei algo muito menor do que eu imaginava, mas pelo menos contava com alguma estrutura: super-mercado, restaurantes e 2 backpackers. No primeiro, que se denominava a casa do ciclista, ninguém me atendeu, o que me obrigou ir para os segundo, onde fui bem atendido.
 
Instalei-me num pequeno quarto, dividindo-o com apenas mais um sujeito que tinha idade para ser meu avô. Conversei com os donos do local e resolvi chegar até o ponto mais visitado da região, o famaso Cape Reinga, de ônibus, que me levaria e me traria de volta. Era um caminho de 115 quilômetros que me exegiriam 2 dias pedalando para chegar lá e voltar, assim resolvi fazer o tour de ônibus mesmo.
 
Domingo (24 de setembro de 2006)
Kaitaia – Cape Reinga – Kaitaia
 
O ônibus passaria às 9 da manhã na hospedagem onde eu estava. Coloquei o despertador para as 7:30 da manhã. Ele não despertou e eu só fui acordar às 8:40. Tinha 20 minutos para separar as coisas que eu iria levar, tomar meu café da manhã, trocar de roupa, escovar os dentes e ir para a frente do hotel esperar o ônibus.
 
Fiz tudo no tempo exato de entrar no ônibus quando ele estava parando na frente da hospedagem. Entrei e fomos embora na direção do pedaço de terra mais ao norte do país, no meio do caminho fomos parando em diversos lugares, o primeiro foi uma espeçie de fábrica de objetos de madeira feito com algumas árvores de 30 a 50 mil anos de idade, de uma espécie chamada Kauri. Isso justificava o preço das coisas, uma simples mesa não custava menos que 10 mil dólares, um sofá 40 mil. Só não comprei porque era pesados demais para levar na bicicleta.
 
Depois de lá fomos parando numa sequência de praias maravilhosas, tão bonitas quanto as praias brasileiras, no entanto com a vantagem de estarem completamente desertas e limpas. Por volta do meio-dia chegamos ao esperado fim do país, onde se pode encontrar um farol (Farol de Cape Reinga: S 34º 25.598’ E 172º 40.648’) exatamente na mesma linha onde o mar da Tasmânia se junta ao Oceano Pacífico. Pode parecer brincadeira, mas é possível observar a diferença entre as duas “águas”.
 
O Pacífico, como o próprio nome já diz, estava calmo como um lago, em compensação, o Mar da Tasmânia era agitado, com diversas ondas, inclusive formadas longe da costa, o que me chamou a atenção. Alí entendi porque o lugar era tão famoso e tão fotografado, era realmente maravilhoso.
 
O único problema foi que não fiquei o tempo que queria no local em em pouco tempo tive que entrar no ônibus para seguir adiante, para uma praia deseta e depois para as dunas de areia, onde se pode descer com um sandboard. Por fim, o ônibus fez todo o caminho de volta pela areia da praia, chamada Ninety Mile Beach. Na realidade ela está mais para Praia de 90 Quilômetros que para 90 milhas, mas mesmo assim continua sendo muito grande.
 
Foi nesse caminho de volta que a viagem mudou de cara para mim. Eu abri minha carteira e o que eu vejo, o meu cartão do banco havia sumido. Simplesmente não estava alí e eu não sabia onde estava, procurei onde eu pude e nada. Fiquei um pouco preocupado, mas pensei que devia tê-lo deixado dentro de alguma roupa. No entanto, quando cheguei no hotel, procurei em tudo o que eu tinha e nada.
 
Havia perdido, de forma ainda desconhecida, o cartão que me possibilitava sacar todo o dinheiro que eu precisava. Agora estava com um problema dos grandes em minhas mão, não sabia o que tinha acontecido com o cartão e tinha que começar a pensar em como iria me virar para conseguir outro cartão e o que iria fazer até que esse novo exemplar chegasse em minhas mãos.
 
Liguei para casa e comecei a agilizar o porcesso de solução desse problema. Era madrugada de sábado para domingo no Brasil e nada poderia ser feito. Agora só me resta esperar, ficar em algum lugar e conseguir algum trabalho pelos próximos dias até que meu novo cartão chegue.

Patrocínio:
Apoio:
Parceria Institucional:
Parceiros de Mídia:
 
© 2006 - Pedal na Estrada - Todos os direitos reservados  Desenvolvido por: Dennova