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Segunda-feira (4 de setembro de 2006)
Lima
 
Começou a contagem regressiva para a minha partida do continente e eu não tenho como negar a minha ansiedade em relação a isso. Esse meu sentimento não é muito grande, mesmo porque não pode ser, eu estou resolvendo tantas coisas que nem tenho tempo para me dedicar a esse inevitável sentimento. Inevitável como as mudanças que virão.
 
A contar de hoje eu tenho apenas mais 5 dias de Peru e de América do Sul. A minha passagem para Auckland já está reservada e marcada para o dia 9 de setembro, sábado, às 7 horas da manhã. Agora eu tenho que começar uma seqüências de saques em dólar para pagar a minha viagem aérea e tenho somente até amanhã para comprá-la, caso contrário ficarei aqui por mais tempo.
 
Mesmo sabendo da necessidade de ter uma passagem de ida e volta para poder entrar na Nova Zelândia eu resolvi arriscar e comprar somente uma passagem de ida para lá. Por que? Porque é mais barato, mesmo assim continua sendo cara, mas, de qualquer forma evitará que eu jogue no lixo emu dinheiro e uma passagem de volta para a América Latina.
 
Além da passagem, que eu diria que já está resolvido, ainda me resta deixar tudo “certo” para a minha saída do continente: bicicleta, lugares, malas, pessoas, textos, dinheiro. Hoje planejei uma série de coisas, mas no final das contas eu consegui apenas fazer uma rápida visita ao centro de Lima, quando já era quase noite e buscar o resultado da série de exames que eu realizei na semana passada.
 
No centro de Lima eu consegui tirar apenas algumas fotos, pois o céu estava completamente nublado e, mesmo estando no meio da tarde, as luzes já começavam a acender. Depois disso eu tomei um ônibus lotado até a clínica para saber os resultados. Ao chegar no local, estava com o famoso frio na barriga que antecede a chegada de alguma informação importante.
 
Essa sensação acabou logo que eu li os esperados resultados. Todos negativos. Não tinha nem unha encravada, nada mesmo. Agora eu podia voltar para “casa” mais tranqüilo, no entanto com uma pergunta ainda sem resposta: o que estava fazendo eu sentir aquela moleza e mal estar? Pensei um pouco e tive que admitir para mim mesmo que esse mal estar não podia ter outra origem que não fosse a minha própria cabeça.
 
A solução era relaxar um pouco e aproveitar os meus últimos dias por aqui.
 
Terça-feira (5 de setembro de 2006)
Lima
 
Acordar cedo já não fazia mais parte da minha rotina, assim como dormir cedo também não. Já me acostumei a sempre ser o último da casa a acordar. Quando despertei hoje resolvi tirar o dia para começar a resolver tudo o que eu precisava fazer, inclusive buscar a minha essencial passagem aéra para a Nova Zelândia. Depois de tomar um rápido café da manhã eu comecei a me organizar, até que por volta das 11 da manhã eu tirei a bicicleta de seu longo descanso para então pedalar até o centro da cidade e buscar meu ticket.
 
A agência de turismo era longe, mais do que eu pensava, mas consegui chegar sem muita dificuldade. O problema começou quando ao procurar a pessoa com quem eu havia reservado a passagem, tive a resposta, “estou saindo para o almoço, por isso vou te passar para outra pessoa”. O que ele não falou era que essa outra pessoa era uma mulher que devia estar trabalhando a menos de uma semana alí e não sabia fazer nada.
 
O probelma teve início porque eu iria pagar de forma diferenciada, metade no quartão de crédito e a outra matede em dinheiro. Era a única forma que eu tinha de fazer isso, só não sabia que essa forma iria me custar tanto tempo. A mulher que me atendeu estava tão perdida quanto um estagiário no primeiro dia de trabalho. Talvez ela fosse uma estagiária também. O fato de eu estar realizando um pagamento diferente foi suficiente para que ela chamasse o escritório inteiro para ajudá-la.
 
Foram mais de 2 horas de espera. Sentado, observando-a. Vendo ela quebrar sua cabeça para resolver aquilo. Boa vontade ela tinha, só faltou o conhecimento. Quando já estava tudo resolvido ela mandou imprimir a passagem, mas, por algum motivo ainda desconhecido, a impressora travou. Resultado: mais meia hora.
 
Quando eu consegui sair de lá, já com minha valiosa passagem na mão, corri para tentar comer o almoço especial que Micky estava preparando. Pedalei rápido pelas caóticas ruas de Lima, um trânsito que assusta pela imprudência dos motoristas. Todos são péssimos e peritos em desrespeitar as leis de trânsito. Sinal vermelho? Dar preferência? Manter distância do veículo da frente? Para que tudo isso? Aqui essas são atitudes desnecessárias.
 
Assim o trânsito de Lima lidera a minha lista de cidades fatais. Pelo menos eu já havia sido treinado pelas ruas de São Paulo e consegui sair ileso de Lima, para chegar a tempo de ainda almoçar com todos. O almoço foi uma prato chamado Aji de Gallina, que poderia ser traduzido como um Picante de Galinha, feito a base de uma pimentinha que existe por aqui, chamada rocoto, a mesma que quase me matou na Bolívia, quando eu pensava ser um inocente pimentão.
 
O prato estava delicioso. Creio que comi demais também. A reação foi uma moleza que fez que eu desmaiasse na cama, até mais tarde.
 
O dia pareceu ter passado rápido demais e eu não havia conseguido fazer tudo o que eu queria.
 
Quarta-feira (6 de setembro de 2006)
Lima
 
Resolvi dinamizar o tempo hoje, acordei e logo fui fazer tudo o que eu precisava. Hoje foi a vez de atualizar o site. Assim, fui até um Starbucks que ficava perto da onde eu estava ficando e aproveitei a internet para fazer tudo o que eu precisava enquanto tomava um café.
 
Foram algumas horas. Foram alguns cafés. Tudo resolvido, havia atualizado meu site. De quebra ganhei uma dor de estômago que eu nem sabia o que era. Só sabia que doia como uma pancada na barriga. Mais uma surpresa da comida peruana. Imaginei que fosse um início de gastrite. Acho que estava abusando muito das porcarias que haviam pelo caminho. Estava na hora de começar a tomar mais cuidado com o que eu comia.
 
Voltei para casa e alí encontrei a deliciosa comida preparaqda por Maria, a simpática empregada da residência. Comi bem e depois fui cumprir com os meus deveres, como lavar roupa e fazer algumas pesquisas. Afazeres que me tomaram a tarde toda, até a hora de eu ir encontrar com Micky para que ela me levasse num lugar no centro de Lima, onde apenas se vende DVD`s piratas.
 
Quando cheguei no local, fiquei assustado com o número de filme a venda e também com o preço deles. Era possível comprar um dvd com 2 ou 3 Reais. Sabia que estava realizando um ato que eu próprio recrimino, no entanto, aqui no Peru, se você quer comprar algum filme ou cd, só é possível encontrá-lo assim. Os originais ainda são raros e caros.
 
Os documentários que eu queria: Baraka e a trilogia Qatsi (filmes que eu recomendo a todos) eu não encontrei, mas em compensação encontrei uma série de outros. Aproveitei e levei comigo alguns desses disquinhos, para assistí-los em algum momento tranqüilo da minha viagem.
 
Após concluida as compras, estavamos saindo do estacionamento do local e a menos de uma quadra do mercado negro fomos parados por um policial. Ele primeiro alegou que Micky estava falando ao celular enquanto dirigia – ela não estava -, depois disse que ela estava sem o cinto de segurança – ela estava usando - , por fim, pediu os documentos do veículo e encontrou o seguro obrigatório (aqui também existe e, assim como no Brasil, não serve para nada) vencido.
 
Isso era tudo o que ele queria e foi o suficiente para que fossemos escoltados por 2 motos até a delegacia mais próxima. Eu nem presenciei o correr dos fatos, mas só vi quando Micky saiu de dentro do local, com uma cara nada boa e me disse que teria que procurar e comprar um seguro obrigatório para o regularizar a situação do seu veículo e ter os documentos de volta.
 
Achei a solução que o policial deu um pouco estranha, pois ele além de não resolver nada estava piorando a situação, deixando uma pessoa dirigir sem os documentos do carro, até encontrar o pequeno papel. Outra coisa incrível é que esse seguro obrigatório era vendido em diversos lugares, como postos de gasolina, farmácias e em outros lugares inusitados, todos já fechados àquela hora da noite.
 
Quando já não sabiamos mais o que fazer, Micky encontrou um amigo, que tinha alguma posição elevada dentro da polícia e ele resolveu ajudá-la a solucionar o seu probelma. A essa altura eu já estava dormindo dentro do carro e com uma bela dor de estômago. Chegamos na casa dela já bem tarde, conversamos ainda um pouco mais e só então fui domir, já consciente que eu tinha uma gastrite.
 
Quinta-feira (7 de setembro de 2006)
Lima (aqui não é feriado)
 
Acordar tarde foi inevitável. Incrível seria se eu conseguisse despertar cedo. Como agora só me restam 2 dias por aqui eu resolvi colocar lenha na fogueira e resolver todo o resto de coisas que eu tinha que fazer.
 
Assim, fiz uma série de contatos com diversos meios de comunicação de Lima, incluindo revistas, televisão e jornal, com alguns já agendei entrevistas, com outros fiz uma entrevista na hora mesmo. Depois fui visitar uma instituição que trabalha somente com aidéticos, talvéz a única instituição do gênero em todo do Peru.
 
Ao chegar na instituição chamada Via Libre, que ficava no centro de Lima eu fui muito bem atendido, falei do Pedal na Estrada e as pessoas dalí ficaram super empolgadas e me levaram para conhecer toda a instituição, com uma guia que me explicava tudo e me fornecia diversas informações sobre a situação do HIV no Peru.
 
O passeio pela instituição começou por uma espécie de biblioteca, quando me contaram um pouco sobre AIDS, o Virus HIV e sobre a Origem da Doença, que é muito curiosa, e também sobre esta ONG, que já atua na área há anos, subsidiada por algumas pessoas e empresas e somente agora conta com uma pequena ajuda do governo peruano, que começou a colaborar com a doação de medicamentos para os pacientes.
 
Após a biblioteca eu fui para a farmácia, onde me explicaram como funcionava a entrega de medicamentos para os pacientes, como o governo estava subsidiando alguns medicamentos e sobre alguns pacientes que ainda preferiam pagar pelos seus remédios e mater seu anonimato perante a sociedade.
 
Caminhamos então para o laboratório, uma parte que eu tinha muito interesse em conhecer. Dentro do pequeno local para exames e análises conheci a funcionária que parou o que estava fazendo e se dedicou a explicar tudo para mim. Começou mostrando como é feito o exame para saber se uma pessoa tem AIDS (aqui chama-se SIDA).
 
Uma coisa que eu descobri é que existem exames que podem ser feitos em poucos minutos, bastando apenas um pouco de sangue na pessoas que será examinada. O única coisa necessária é que seja a parte “branca” do sangue, ou seja, o sangue precisa ser separado, ficando glóbulos vermelhos e brancos de um lado e do outro apenas um líquido translucido, com plaquetas do outro. Este parte clara é colocada num pequeno e descartável aparelho que fornece o resultado minutos depois.
 
Ocorre que ao mostrar os sangues coagulados e não-coagulados, aconteceu o inesperado, ela simplesmente derrubou a ampola que continha o sangue não coagulado e para a minha alegria, uma gota daquele sangue desconhecido voou em minha mão. No mesmo instante senti um calafrio. Eu numa instituição que só trabalha com AIDS e com uma gota de sangue em minha mão, foi uma sensação um pouco desagradável.
 
Enquanto eu estava paralisado pelo fato, a enfermeira estava tranqüila como se não houvesse occorido nada ou como se fosse normal quebrar aqueles vidrinhos com sangues dos outros perto que algum visitante. O meu medo só foi embora quando ela provou para mim que aquele sangue não tinha nada e que mesmo que tivesse, seria impossível que eu pegasse alguma doença, pois precisaria que o sangue caísse em alguma ferida minha, o que eu não tinha.
 
Mais uma lição sobre a transmissão da AIDS, pena que tive que aprender do jeito mais difícil. Após provado por A mais B que havia perigo nenhum em relação ao que aconteceu comigo eu fui conhecer um outro setor da Via Libre, que trabalhava com crianças e pais infectados, realizando todo um trabalho de orientação e conscientização para as crianças e para as famílias, buscando fazer com que o impacto psicológico da doença seja amenizado.
 
A visita foi muito interessante e fiquei muito feliz por saber que existe uma instituição assim por aqui. Não muito feliz, pois só existe uma numa país tão grande como o Peru, o que me faz crer que não é suficiente. De qualquer forma, foi bom conhecer pessoas tão bem intecionadas por aqui.
 
Quando saí da instituição aproveite e fui conhecer o Museo de Arte, que conta com mais de 10.000 obras de arte, que vão desde as épocas mais remotas do Peru, contando com objeto de milhares de anos atrás, confeccionados pelo povo nativo da região, passando pela arte da época colonial e chegando até a arte conteporânea. Muita coisa para conhecer, tanto que quando eu saí do museu, já estava noite.
 
Ao voltar paras as ruas do centro histórico de Lima senti intensamente meu estômago pegando fogo. Aquilo não me pareceu nada bom e eu aproveitei e voltei para a clínica onde haviam feito os meus exames. Como bons médicos eles se recusaram a me tratar, pois agora eu teria que pagar pela consulta. Era o dinheiro falando mais alto que uma pessoa, mas não podia fazer muita coisa a não ser reivindicar meus direitos. Fiquei na clínica, falei com várias pessoas até que cheguei no diretor do local.
 
Este por sua vez quis passar a imagem de bom moço comigo, conversando e falando que o que eu tinha não era nada de grave. Que hipócrita, pois nem sabia o que eu tinha. Depois me acompanhou até uma farmácia fora do local e falou o que eu tinha para a farmacêutica, que me vendeu alguns medicamentos paleativos.
 
Ao final do dia estava acabado e tomando um anti-ácido para combater minha dor de estômago.
 
Sexta-feira (8 de setembro de 2006)
Lima
 
Meu último dia chegou, agora tenho que colocar os pingos nos “is”, para poder viajar tranqüilo, com a boa sensação de dever cumprido. Comecei o dia falando com alguns jornalistas e acabei marcando de sair num programa de esporte, num canal da televisão peruana. Fora isso, tinha uma matéria com um jornal e com mais uma revista.
 
Comecei com o programa de televisão que me levou para diversos pontos da cidade para gravarmos a reportagem com a cara de Lima. Para fezer isso foram algumas horas, depois fui dar uma outra entrevista para um jornalista de uma revista, o que também me tomou várias horas, por fim fiz a última entrevista com o maior jornal de Lima.
 
Quando acabei essa maratona de entrevistas já era noite, começava a chover e a ficar frio e eu já estava bem cansado, mas ainda tinha muita coisa para fazer. Comprei alguns metros de plástico bolha para embalar minha bicicleta e fui para a minha temporária casa. Alí comecei a arrumar tudo o que eu tinha e a desmontar a bicicleta para protegê-la e colocá-la dentro do avião.
 
Quando eu acabei tudo, fui despedir de todos, Micky, suas 2 filhas, Luna e Cielo e Maria. Quando olhei no relógio já era 2 da madrugada e eu tinha que levantar às 3 e meia da manhã para ir para o aeroporto. Cai na cama já dormindo, mas não pude aproveitar muito desse sono, pois após pouco tempo já estava o táxi na frente da casa, buzinando para que eu descesse.
 
Começava agora o meu longo sábado.
 
Sábado (9 de setembro de 2006)
Lima – Santiago (Chile)
 
O taxi seguiu para o aeroporto internacional de Lima, onde me deixou na porta certa para fazer o check-in do meu vôo. Foi alí que pela primeira vez eu descobri o quanto de peso eu levava nesta viagem. Somando a bagagem e a bicicleta eu tenho 52 quilos de peso comigo. Sou praticamente um caracol, que leva sua casa para cima e para baixo. Não imaginava que levasse tanto peso.
 
Depois de despachar minha bagagem, iniciei o ritual de saída: revistas, imigração, mais revistas e sala de espera. Quando já era 6 da manhã eu estava dormindo numa das cadeiras do local e anunciaram que o avião atrasaria alguns minutos. Não estava muito preocupado com isso, teria muito tempo para ficar em Santiago até a minha conexão sair.
 
O anunciado atraso não se efetivou e o avião decolou no horário previsto em minha passagem. Cheguei em Santiago do Chile por volta das 10 e meia da manhã e agora começava a pior parte. Ficar preso num salão, sem poder sair, juntamente com algumas lojas e restaurantes caros, por mais de 12 horas, até o meu próximo avião sair.
 
Após comer alguma coisa eu percebi que já não tinha mais dinheiro para nada, tinha cerca de 7 dólares no bolso e não podia sair para realizar um saque de dinheiro, o que seria bom ter ao entrar na Nova Zelândia. Assim, fiquei alí dentro esperando o tempo passar. Por algum tempo usei o meu computador, até que a bateria se acabou e as tomadas que alí haviam não eram compatíveis com a do meu computador. Agora me restava apenas sentar e esperar.
 
Fui dormir um pouco, mas não consegui pegar no sono direito. Foi apenas uma cochilada leve e ainda faltava bastante tempo até a hora do embarque. Preso e sem ter o que fazer, estava começando a ficar difícil a permanência alí. Por sorte eu conheci uma brasileira que estava alí para viajar no mesmo avião que eu e começamos a conversar. Isso fez com que o tempo passasse mais rápido. Rápido o suficiente para enterrompermos nossa conversa com o aviso que de o vôo iria atrasar e que uma posição só seria dada às 11 e meia da noite.
 
A única coisa que a companhia aérea fez foi pagar uma refeição para as pessoas que estavam nesse vôo. A essa hora havia apenas um restaurante aberto e já não cabia mais gente alí, mesmo assim entrei na fila e pouco tempo depois chegou uma comida, tão artificial quanto a servida dentro dos aviões. Mesmo assim comi, tinha fome e não tinha muito dinheiro.
 
Na hora estipulada veio a posição, o avião só sairia à meia noite e quarenta. Já eram 2 horas de atraso. No horário marcado o avião saiu do chão e tremeu. Tremeu muito. Cheguei a pensar que estava numa ônibus boliviano andando em uma estrada de terra. A tremedeira continuou. Passou meia hora e o treme-treme não passou. Estava estranho. E o previsivel aconteceu, o piloto anunciou que teriamos que voltar para Santiago, pois tinhamos um problema.
 
Todos ficaram muitos felizes com a notícia, especialmente aqueles que tinham hora marcada para chegar. Mesmo assim o avião voltou, tremendo. Três horas perdidas. Quando chegamos de volta à Santiago, o piloto não sabia o que falar no microfone, uma hora ele falava que ela para descer, outra falava que era para ficar, em outras era pior, dizia: “Quero anunciar que, que, que...” e ficavamos sem saber o que estava acontecendo. Boatos surgiam, em português, em espanhol, em inglês, mas ninguêm chegava a uma conclusão do que fariam com todos os passageiros.
 
Domingo (10 de setembro de 2006)
Num avião, acima do Oceano Pacífico
 
Já era domingo e estavamos ainda em terra firme, sem saber o que aconteceria. Alguns, como eu, queriam que nos mandassem para um hotel para descansarmos, outros queria sair o mais rápido possível. Por volta das 4 da madrugada, o piloto anunciou que dentro de 30 minutos o avião sairia.
 
O avião estava melhor, já não tremia. Assim, foi iniciada a viagem de quase 14 horas, na qual apenas um café da manhã foi servido. Dormi um pouco o que eu pude, mas chegou uma hora que eu não tinha mais sono, mas seguia cansado. O pior, estava preocupado com minha chegada à Nova Zelândia, eu tinha alguns requisitos não muito bons para desembarcar no país:
 
- Uma passagem só de ida;
- Apenas US$ 7,00 no meu bolso;
- Um spray de pimenta;
- Duas facas;
- Algumas comidas proibidas;
- Alguns saquinhos de chá de coca;
- Uma garrafa cheia de benzina;
- Além do fato de ser brasileiro, o que aqui já está com uma imagem não muito boa.
 
Quando me entregaram o papel para a solicitação da entrada no país vi aque a coisa tava preta. Fui sincero e assinalei corretamente a folha, marcando alguns pontos vermelhos.
 
O avião chegou começou o processo de aterrisagem. Já era 10 e meia da manhã, de segunda-feira, na Nova Zelândia. O domingo havia sumido, ou melhor, voado embora.

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