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Segunda-feira (24 de junho de 2006)
Puno
 
Acordei cedo, mas de nada adiantou, ao ir ao banheiro, metade de mim foi-se embora pelo vaso sanitário. Como resultado eu não tinha mais energia para pedalar. Bem que eu tentei, mas foi em vão, estava até com tonturas. Se eu chegasse até o próximo povoado, neste estado, já seria uma vitória.
 
O que eu poderia fazer a não ser permanecer em Puno e torcer para a minha melhora? Creio que nada. O pior de tudo é que eu não sei o que eu tenho, assim como também não sei da onde está vindo isso. Obviamente da comida, mas minha dúvida é se eu tenho alguma doença ou se estou passando por uma adaptação à comida daqui.
 
Espero, profundamente, que seja a segunda alternativa, caso contrário as coisas ficarão complicadas para mim e eu precisarei fazer mais uma visita à um hospital, não pelo projeto, mas por mim mesmo. O que me dá alguma esperança ainda é que tenho apetite e na medida do possível como bem.
 
O mais impressioante é como uma enfermidade, oriunda de um simples prato de comida, pode alterar o meu destino, me fazendo ficar aqui em Puno por mais um dia (ou mesmo mais), ou talvez me colocando em meu destino, pois talvez tivesse que ser assim mesmo. Isso só reforça o que a estrada sempre me ensina: não tenho o controle de nada, de nada mesmo, nem do meu próprio intestino.
 
De qualquer forma, eu me alimentei bem hoje, ainda acredito que amanhã estarei melhor, o suficiente para pedalar um pouco.
 
Terça-feira (25 de julho de 2006)
Puno
 
Minha esperança de pedalar hoje foi por água abaixo, literalmente. Despertei com o chamado do vaso sanitário, mas desta vez não foi ameno, foi grave. Assim, após quase desintegrar-me no trono achei que seria mais sensato eu procurar um hospital para saber o que eu tinha e dar um basta neste processo, que aparentemente tinha chegado num grau elevado.
 
Até para sair do quarto eu tinha dificuldades. Estava fraco, sem energia para nada. Assim, de estômago vazio, desci da pousada e parei o primeiro trici-taxi que vi. Não imaginava que fosse usar este serviço, mas admito que ele nunca foi tão bem vindo. O garoto que guiava a bicicleta de 3 rodas me conduziu rapidamente pelas ruas da pequena Puno, que para a minha situação parecia grande até demais.
 
Cheguei ao hospital e fui direto para o setor de emergência. Como era cerca das 8 da manhã por aqui, não havia quase ninguém na fila de espera. Chamaram-me e lá fui eu, para mais uma consulta. Primeiro foram as enfermeiras que me fizeram uma seqüência de perguntas; depois veio o médico, que me observou, me escutou com seus aparelhos, me mandou fazer ahhh e depois de tudo concluiu que eu tinha que ficar por ali mesmo, para tomar um litro de soro na veia.
 
Eu não estava em condições de discernir se aquilo era bom ou ruim. Peguei a minha receita e fui conduzido por um outro funcionário até a farmácia do hospital, que, por sua vez, só tinha metade dos medicamentos que eu precisava. A outra metade eu tinha que providenciar no lado de fora do local, numa farmácia qualquer.
 
Com tudo em mãos me colocaram numa quarto do hospital. Haviam 6 camas no local, mas só metade delas ocupadas. Caí na cama e chegou a enfermeira com uma seringa, que serveria apenas para introduzir um cateter na veia da minha mão direita. Com o tubo dentro da minha mão as gotas de soro começam a cair.
 
Fui informado que só ficaria alí por no máximo 2 horas. Como não tinha o que fazer, resolvi dormir e assim economizar minha parca energia. Quando eu acordei, já não tinha mais sono para dormir de novo e as 2 horas haviam se passado, entretanto só metade do soro havia se passado para dentro de mim. Parecia que teria que ficar mais por alí.
 
Como estava acordado, me atentei a tudo o que se passava à minha volta. O pior era um senhor que estava na cama ao lado da minha. Ele parecia ter algo parecido que eu, só que num grau mais elevado. Ele não conseguia nem falar direito e ia a cada 10 minutos ao banheiro. O que já estava ruim era agravado pelo fato das visitas que chegavam para vê-lo cairem em prantos, o que para mim dava a impressão que ele estava prestes a morrer.
 
Que clima. E eu preso alí por um tubo de plástico atado em minha mão. O pior de tudo, é estar sozinho num hospital público, pois há a constante impressão que te esqueceram jogado alí. As enfermeiras mal apareciam e quando apareciam, nada faziam, pois diziam que precisam da autorização do médico, que era a pessoa mais rara do hospital.
 
Quando eu já completava 4 horas de soro, estava querendo só sair dalí. O médico já havia vindo 2 vezes ao quarto para perguntar meu nome e nada dele voltar. E o soro já em suas últimas gotas. Chegou então o “doutor” com seu ajudante, que diante dos resultados fizeram cara de dúvida e me receitaram alguns remédios, dizendo: com isto você vai melhorar. Acho que tentaram disfarçar a cara de dúvida que tinham com essa frase. Só faltava me dizer: bem garoto... não sei o que você tem, então toma isto aqui mesmo, para a gente ver no que dá. Seja o que Deus quiser.
 
Certos ou errados, aquelas drogas eram minha esperança. No caminho para a farmácia passei numa agência de turismo, onde havia ficado de pegar um mapa das estradas peruanas, o que eu ainda não tinha. Alí encontrei Luis, o dono da agência, que ao me ver em situação tão lamentável, resolveu me ajudar, suprindo-me com comidas confáveis para enfermos.
 
Depois dalí, comprei os rémedios, entre eles um litro de soro e fui para o meu quarto de hotel, ondei fiquei me hidratando e descansando para quem sabe amanhã estar melhor.
 
Quarta-feira (26 de julho de 2006)
Puno – Sillustani – Puno
 
Acredito que eu estou melhorando, mas como ontem quase não me alimentei ainda estou fraco para pedalar ou mesmo para fazer quaser coisa que requeira-me um pouco mais de esforço. Achei que seria interessante conhecer alguma coisa em Puno, nem que fosse de ônibus mesmo, não me importava, porque se não fosse assim não conseguiria fazer nada..
 
Assim, fui para Sillustani, um complexo arquiológico da região de Puno. Foi interessante conhecer esse local, que se trata de uma necrópole, que pertenceu a diferentes civilizações, em épocas distintas, como Pukara (400 a.C. – 500 d.C.), Qolla (1100 d.C. – 1450 d.C.) e Inka (1450 d.C. – 1532 d.C.). Com a chegada dos espanhóis muita coisa foi destruida e hoje só restam as ruínas do local.
 
Ao percorrer todo o terreno não há indícios de casas ou coisas do gênero, o que leva a crer que toda a região não passava de um grande cemitério, onde também eram realizados cultos, pois além das grandes tumbas (chullpas), pode-se encontrar diversos círculos formados por pedras, que segundo os estudiosos, eram centros de energia, onde as pessoas entravam para obter uma carga extra.
 
Como era justamente isso que eu estava necessitando, entrei no círculo e fiquei ali sentado por pelo menos 30 minutos. Por pouco não me torno uma atração turística e ganho algumas moedas. Senti que saí dalí me sentindo melhor mesmo. Não sei se foi efeito da minha cabeça ou se realmente funciona, só sei que estava melhor depois do passeio.
 
Agora só tinha que voltar, o problema é que eu havia chegado de ônibus e agora não havia nenhum ônibus ali. Conversei com um pessoal de ônibus de 50 lugares que levava somente 20 japoneses e a resposta, já prevista, foi não. Depois encontrei uns franceses que tinham um taxi esperando por eles ali na porta do local. Por sorte eles me levaram até Puno, onde encontrei Luis, que me deu uma boa sopa. Assim, consegui comer minha primeira refeição pós-hospital.
 
Agora só desejo voltar a pedalar. Já até me ofereceram carona para Cuzco, mas continuo aguardando minha melhora. Quem sabe amanhã.
 
Quinta-feira (27 de julho de 2006)
Puno
 
Pela manhã já estava com tudo pronto para voltar para a estrada. Quase tudo, eu ainda não estava. Mais uma vez me sentindo mal e com diarréia brava. Mesmo me sentindo debilitado e na iminência de ter que permanecer mais um dia nesta cidade, que está se tornando minha prisão, eu tomei uma atitude incerta. Saí do hotel, com todas minhas coisas, disposto a pedalar.
 
Infelizmente, não fui muito longe. Ainda estava muito fraco para qualquer atividade, apesar de querer muito sair daqui. Consegui pedalar por 5 quadras até sentir tonturas. Foi o suficiente até eu chegar no escritório de Luis, para devolver suas panelas e coisas que havia me emprestado.
 
Alí tomei a decisão de não viajar. Ainda não era viável. Outra decisão foi a de voltar ao médico, talvéz outro médico, mas de qualquer forma, eu tinha que reanalizar o que eu estava tomando, pois não estava me fazendo nada bem. Luis, por sorte conhecia um gastrenterologista, que era justamente o que eu estava precisando.
 
Fomos então até o consultório do médico. O local parecia tudo, menos um consultório médico. Era escuro, desarrumado e um pouco sujo, mas o que eu poderia fazer. Chegou então o médico, que também não tinha pinta de médico, mas sim de malandro ou bêbado. Perguntou o que eu tinha, mediu minha temperatura e fez uma coisa inédita para minha, escutou minha barriga.
 
Parecia que minha barriga não tinha bons sons. Desta forma, ele fez uma receita, que me dizia para parar com o que estava tomando e começar com outros medicamentos, que me pareciam bem diferentes daquilo que haviam me receitado. Alguns desses novos remédios o próprio médico me deu, o outro tive que comprar.
 
Depois da consulta e da farmácia, fui para a casa de Luis. Tomei os novos remédios e comi uma sopa feita especialmente para mim. No entanto, o que era para me curar parecia estar fazendo o contrário, pois minutos após a sopa iniciou-se em minha barriga uma cólica de derrubar qualquer um.
 
Mesmo com essa cólica infernal eu fui até uma nova hospedagem, onde teria que passar mais um dia. Ao chegar no local a primeira coisa que fiz foi procurar o banheiro. Foi minha salvação. Alí fiquei por alguns minutos até me sentir vazio, sem cólica e com uma dúvida: o que aquele médico havia me dado?
 
Voltei ao consultório, o médico não pareceu espantado com o que ocorrera comigo e tranqüilamente falou para que eu parace de tomar o que ele receitara minutos antes e me entregou novos medicamentos. Não sabia o que dizer, muito menos o que fazer, diante daquilo tudo. Senti como se estivesse brincando comigo.
 
De toda forma voltei ao hotel e fiquei alí, vendo tv. Apreciando os bons canais peruanos, que cobriam os desfiles que ocorriam nas ruas de todo o Perú. O motivo de tanta comemoração é o dia da independência peruana manhã, mas os desfiles foram anteciapados, pois amanhã é só feriado, pelo visto, até para quem desfila. O que faz  amanhã ainda mais especial, é a posse do novo presidente peruano, Alan Garcia.
 
Sexta-feira (28 de julho de 2006)
Punoa
 
Ó vida... Ó céus... Ainda não estou bem. Sai da cama para o banheiro. Mas senti que já estou um pouco melhor. Desde vez deixei menos litros de Arthur no vaso. Creio que é o caminho para a recuperação.
 
Desta vez, nem me espantei com tal acontecimento. Surpresa mesmo seria se eu estivesse completamente bem e já saisse pedalando. Até poderia ser chamado de milagre, mas não foi desta vez. Tive que ficar no hotel, vendo tv, assistindo à posse de Alan Garcia.
 
Já que estava em meio de uma data tão especial para o povo peruano, resolvi compreender um pouco mais sobre a história do país, analizando a história peruana, dos povos pré-incaicos ao segundo mandato de Alan Garcia como presidente do país. Depois disso, tudo ficou mais claro: protestos, manifestações, espectativas, promessas e descontentamentos.
 
Depois disso, voltei para a tv, naveguei pelos canais, lembrei como a programação dos canais do mundo inteiro são uma porcaria e acabei assistindo a um filme. Fazia tempo que eu não via um filme. Confesso que com a vida que levo não preciso assistí-lo de dentro de uma caixa, pois tudo o que passo e vejo todos os dias é o suficiente para escrever diversos roteiros. Só espero que em meu próximo episódio eu esteja bem e pedalando. Veremos.
 
Sábado (29 de julho de 2006)
Puno – Pucará (102 km) Enfim!
 
Acordei, fui ao banheiro e nada de diarréia! Chegou o dia de sair de Puno! Finalmente!
 
Já estava com tudo pronto desde a última vez que havia tentado pedalar. Agora já me sentia bem e com energia, pronto para voltar para a estrada. Toda a alegria em torno de estar melhor e conseguir voltar a viajar me fizeram pensar em uma coisa: em como a estrada se transformou em algo maior para mim.
 
Talvez para a maior parte das pessoas uma estrada seja apenas uma faixa de pavimento que liga uma cidade ou região à outra, mas para mim já é algo mais. É a estrada que me faz avançar, seguir em frente, não ficar parado, a mesma estrada que me tira algumas coisas e me dá outras. A mesma que me faz lembrar da impermanência e inconstância da vida, diante do giro das rodas e dos pedais.
 
Para essa estrada eu estava voltando. Era hora de partir. Mais uma despedida. Agora quem ficava era Luis, a pessoa que me ajudou durantes esta difícil semana, fazendo o possível para que eu melhorasse e voltasse para o meu rumo. A melhor forma de agradecer, além de um abraço, só poderia ser pedalando.
 
Assim, logo pela manhã, após comer minha “papa” cai na estrada mais uma vez. Hoje tinha previsto pedalar 100 quilômetros. Não era uma idéia muito inteligente, especialmente devido ao fato de eu ter acabado de me recuperar e estar pedalando à quase 4.000 metros de altitude, mas mesmo assim estava decidido a pedalar.
 
Cheguei em Juliaca, à 45 quilômetros de Puno, sem dificuldades. Comi algumas torradas, um doce e voltei a pedalar. Tinha muito pela frente ainda. Logo depois que saí de Juliaca aconteceu uma coisa muito interessante: conheci 2 ciclistas, que assim como eu, estava viajando pelo mundo. Era um casal, ambos suíços. Até aí pareciam mais 2 ciclistas.
 
Começamos a conversar e descobri que os 2 estavam viajando fazia 40 meses. Já haviam percorrido boa parte do mundo e agora pedalavam em diração à Terra do Fogo. Haviam iniciado sua viagem em abril de 2003 e, o melhor, não pretendiam parar tão cedo. Peter e Beatriz, já tinham suas marcas da estrada. As biciclestas já surradas levavam diversos objetos colhidos ao redor do mundo. O que mais me chamou a atenção foi um cajado de madeira, que estavam trazendo desde o Irã e já haviam usado no México contra alguns bandidos.
 
Eram muitas histórias. Agora eu só escutava e enquanto conversavamos nem viamos o tempo passar. Nesses 40 meses de estrada eu fui o segundo brasileiro que eles encontraram pelo mundo, o primeiro foi o Argus, na Turquia, quando ele já estava na metade de sua volta ao mundo e os 2 suíços apenas começando. Poderiamos ficar uma semana conversando, mas tinhamos que seguir nossos caminhos, que iam em direções contrárias.
 
Segui sozinho, feliz por ter conhecido os 2. Eram como uma inspiração para mim. No entanto, agora que eu já havia pedalado quase 70 quilômetros minhas pernas começaram a mostrar sinais de cansaço, a musculatura já estava doendo e ainda me faltava 30 quilômetros mais. Ainda não estava em minha plena forma.
 
Durante o caminho, senti gotas d’água em minha cara, o que até me impressionou, pois chuva é uma coisa que não vejo a meses. Mesmo assim continuei. Conforme eu ia pedalando o sacrifício ia ficando maior, no entanto eu tinha que seguir, pois não havia mais cidades por perto. A mais próxima agora era Pucará. A solução era seguir em frente.
 
Depois de um largo tempo pedalando a uma velocidade já bem reduzida eu cheguei na cidade que é famoso por suas cerâmicas, sob um tempo muito nublado. Encontrei a hospedagem que Luis havia me dito e fiquei nela mesmo. Não havia muito o que fazer a não ser descansar e comer alguma coisa, a minha missão de hoje estava cumprida.
 
Domingo (30 de julho de 2006)
Pucará – Santa Rosa (74 km)
 
A técnica de manter o horário brasileiro em meus ponteiros começou a funcionar agora. Enfim estou conseguindo acordar cedo. Coloco o despertador para as 8 da manhã do horário da minha terra, no entanto aqui ainda são 6 da manhã. Assim, desperto às 6 da manhã todos os dias. Saio antes das 8 horas, quando ainda não há ninguém nas ruas, graças ao frio congelante daqui.
 
Hoje foi um dia desses. Acordei cedo e fui conhecer as ruínas de Pucará, situadas a poucos metros da cidade. Foi uma visita rápida, mesmo porque eu não poderia ficar alí por muito tempo, tinha que pedalar, além de que, visitar ruínas sem saber o mínimo de sua história é como comer uma boa comida quando se está gripado, não há prazer algum.
 
Voltei para o hotel, tomei um café da manhã, que eu fiz questão de não ser peruano, pois aqui o café da manhã é um prato de comida normal, como um almoço. Você pede um desayuno e te trazem um prato com arroz, carne e batata. Um dia comi um desses, mas hoje preferi ficar mais tranqüilo e comer algo mais leve, junto com um chá.
 
Depois de comer, peguei minha magrela já equipada e fui embora. Foi até engraçado, pois a pequena cidade de Pucará parou para me ver ir embora e se despedir de mim. Me senti feliz e comecei a pedalar contente. Ainda bem, pois a pedalada de ontem deixou suas marcas: minhas pernas ainda doiam, a cada pedalada a dor ficava um pouco mais intensa.
 
Isso era só ácido lático. Só precisava pedalar com um pouco mais de calma no começo até que a dor passasse, depois podia mandar ver. Assim foi. Comecei lento e fiz os primeiros 32 quilômetros até uma cidade chamada Ayaviri num tempo bem grande. Alí eu parei, carreguei meu estoque de água, comi alguns pães e voltei para a estrada bem tranqüilo, pois havia ainda muito tempo disponível para percorrer os próximos 40 quilômetros.
 
Com o vento em meu peito a velocidade ainda não estava das melhores, mas na medida que eu diminuia a distância a percorrer, o vento também reduzia sua velocidade, o que fazia que eu aumentasse a minha. No final das contas, eu cheguei mais rápido do que imaginava em Santa Rosa.
 
A primeira impressão que tive da cidade não foi nada boa, pois havia uma placa que dizia com sinais: Cuzco para lá, Santa Rosa para cá. No entanto, o caminho para a cidadezinha era de pura terra e pedra, além de ter bem poucas casas. Perguntei onde ficava o centro e fui para lá. Conforme me aproximava do miolo da cidade surgia asfalto, pequenas vendas e até internet.
 
Por fim encontrei o que procurava, uma hospedagem. Estou me especializando nisso, ontem e hoje fiquei numa hospedagem que custava mais ou menos R$ 3,00. São simples, mas não são as piores, para falar a verdade, até que são boas. O problema é sempre o banho, nem sempre tem água quente, mas isso já é querer demais.
 
Pra fechar o dia fui procurar algum lugar para comer. Isso se tornou a minha principal preocupação desde que eu saí de Puno. Tomo muito cuidado com o que como e muitas vezes chego até a evitar alguma comida, mesmo com fome. Tudo para evitar uma possível recaída ao líquido mundo da diarréia.
 
De toda forma, a semana acabou, num domingo (como sempre) que para mim não está com nenhuma cara de domingo, pois ainda estou apenas na metade do caminho até Cuzco, onde devo chegar na terça-feira. Mesmo acabando assim, o que importa é que eu estou pedalando de novo, feliz e cada vez melhor.

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